Um estagiário de pós-graduação em Direito do Ministério Público do Paraná (MP-PR) foi demitido após tentar oferecer os serviços jurídicos da própria mãe a um dono de academia acusado de violência doméstica em troca da isenção das mensalidades de treino. O desligamento ocorreu no dia 5 de março de 2026, assim que o órgão tomou conhecimento do caso.
Os prints das mensagens mostram o estagiário afirmando que iria “direto ao assunto” e detalhando a proposta. Ele atuava na Promotoria de Justiça de Pitanga e justificou a troca com dificuldades financeiras, pedindo que o acusado pagasse pelos treinos em vez de honorários advocatícios.
“Acredito que dessa forma fique bom pra nós dois, caso você aceite”, escreveu. O estagiário ainda ofereceu conselhos sobre o processo, sugerindo que o acusado poderia ser absolvido se conseguisse provar que a ex-companheira descumpria medidas judiciais. Ele reconheceu que a vítima não havia autorizado a comunicação e justificou a abordagem como tentativa de ajudar o cliente.
“Não sei se a sua opção por advogado dativo foi por conta do financeiro… se não foi, eu sugiro que você pegue um advogado particular mesmo, pelo que vi nos autos não tem provas nenhuma do que ela alega, e se você provar que ela está descumprindo as medidas é absolvição na certa kk”, escreveu.

O caso veio à tona porque a vítima, ex-companheira do acusado, ficou com o celular dele após a separação, viu as mensagens enviadas pelo estagiário e acionou as autoridades. O MP disse que o estagiário tinha acesso a documentação sigilosa e “teria se aproveitado da função para captar cliente e solicitar vantagem indevida”.
Segundo o órgão, ele deu a entender que sua posição dentro da Promotoria seria benéfica ao acusado, aumentando a possibilidade de sucesso no processo. O estagiário atuava no MP desde 7 de janeiro e foi demitido imediatamente após a descoberta da conduta.
Nesta quarta (27), o estagiário foi denunciado criminalmente pelo MP-PR pelos crimes de corrupção passiva, fraude processual e violação de sigilo funcional. O órgão afirmou que, devido à gravidade do fato, não foi concedido acordo de não persecução penal.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/absolvicao-certa-as-mensagens-de-estagiario-do-mp-a-acusado-de-violencia-domestica/

