Abstenção nas eleições de 2026 é a maior desde 1998

Eleitores em seção eleitoral no Ceará. Foto: Reprodução

A abstenção no primeiro turno das eleições de 2026 alcançou 21,08% do eleitorado, deixando cerca de 33 milhões de brasileiros fora das urnas. O percentual é o maior em uma eleição presidencial desde 1998, quando 21,49% dos eleitores não compareceram.

O índice voltou a superar a marca de 20%, ultrapassada novamente em 2018, e ganhou peso em uma disputa presidencial apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Quem faltou no primeiro turno ainda pode votar no segundo, pois a Justiça Eleitoral considera cada etapa um pleito distinto.

No Brasil, o voto é obrigatório para cidadãos alfabetizados entre 18 e 70 anos. A multa por ausência é baixa, e o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), afirmou que os custos e as dificuldades de deslocamento podem pesar mais do que a penalidade, sobretudo para eleitores de baixa renda.

Medeiros também associou o afastamento ao desânimo diante da polarização e da rejeição aos dois candidatos. “A percepção de que o voto já não é capaz de produzir mudanças concretas favorece o afastamento do eleitor das urnas. A abstenção elevada é um sinal desse distanciamento entre a política e o eleitor”, disse.

Douglas Ruas, deputado estadual do PL e presidente da Alerj
Urna eletrônica

Burocracia, saúde e descrença explicam faltas às urnas

O estudante de economia Roberto Gepp deixou de votar após se mudar de Brasília para São Paulo e não transferir o título eleitoral. Ele classificou como burocrático o processo para alterar o domicílio eleitoral e afirmou que também não conseguirá participar do segundo turno.

Henrique Eduardo Bahouth, de 73 anos, chegou a sua zona eleitoral, mas desistiu após encontrar o local cheio e desorganizado. “Eu nunca deixei de votar. Esse ano, realmente, eu ainda cheguei na minha zona eleitoral, mas estava cheia de muitas pessoas”, relatou.

Bianca Dantas não conseguiu acessar sua seção após passar por uma cirurgia no joelho duas semanas antes da votação. Diante de dois lances de escada e sem tempo para pedir transferência para uma seção acessível, ela voltou para casa sem votar e questionou quantos eleitores enfrentaram obstáculo semelhante.

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral apontam os maiores percentuais de ausência no Sudeste, onde 15 milhões de eleitores — 22,7% do total regional — não votaram, e no Centro-Oeste, com 2,6 milhões de ausentes, ou 21,7%. No Nordeste, onde Lula teve maioria, 8 milhões de pessoas deixaram de comparecer, equivalente a 18,4% do eleitorado da região.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/abstencao-eleicoes-2026-maior-desde-1998/