Seis locais de votação do complexo da Maré, no Rio de Janeiro, mudaram de endereço, e alguns passaram para fora do território das favelas. As alterações afetam 52% dos eleitores da região e podem ampliar a abstenção por engano no primeiro turno presidencial deste domingo. Com informações do Uol.
Parte das transferências já ocorreu na eleição municipal de 2024 e aumentou a abstenção entre os moradores. A expectativa é que o efeito se repita em escala maior na disputa presidencial, em que a participação do eleitorado figura entre os fatores de incerteza do resultado.
A Maré reúne 15 favelas e cerca de 140 mil habitantes. No segundo turno de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Jair Bolsonaro (PL) no complexo por 55% a 38%, mas o comportamento eleitoral varia entre as comunidades.
O Parque Maré está entre os locais que perderam sua seção eleitoral para um endereço fora do complexo. A comunidade concentrou alguns dos principais palcos de operações policiais letais na última década.

Diferenças entre comunidades influenciam o voto na Maré
Levantamento da ONG Redes da Maré apontou que Marcelo Freixo, então no PSB e hoje no PT, venceu Claudio Castro (PL) na disputa pelo governo estadual no Parque Maré. Na localidade, 82% dos moradores declararam oposição a operações policiais.
Na Praia de Ramos, onde não houve operações policiais entre 2016 e 2025, Claudio Castro registrou seu melhor desempenho em todo o complexo. A rejeição às ações policiais cai a 40% na área, cujo local de votação não mudou desde 2022.
O perfil mais representativo do eleitorado da Maré é de uma mulher preta ou parda, com menos de 60 anos e responsável principal pelo sustento da família. Esse grupo tende a apoiar a reeleição de Lula, e não seu principal adversário, Flavio Bolsonaro (PL).
A Maré é o nono bairro mais populoso do Rio de Janeiro e concentra quase 10% da população que vive em favelas na cidade. Mulheres representam 51% dos moradores, e um quarto da população nasceu no Nordeste.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/abstencao-pode-aumentar-apos-mudanca-nos-locais-de-votacao-em-favela-entenda/


