Advogado de Vorcaro vai à Justiça contra Ualid Rabah e pede retirada de vídeo do ar

Bialski e Vorcaro

Daniel Bialski, advogado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e integrante da Confederação Israelita do Brasil (CONIB), acionou a Justiça Eleitoral contra Ualid Rabah, presidente licenciado da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) e candidato a deputado federal pelo PT no Paraná.

A ação tem como alvo um vídeo publicado por Rabah nas redes sociais, no qual o candidato questiona a atuação de Bialski e sua relação com a CONIB. O advogado pede a retirada do conteúdo do ar e medidas para impedir novas publicações com teor semelhante.

No vídeo questionado judicialmente, Rabah afirma: “Por que ninguém está falando que o advogado do Vorcaro é o advogado também da CONIB?”

Na sequência, o candidato reproduz uma declaração de Bialski na televisão na qual o advogado afirma ter realizado nove viagens a Israel desde 7 de outubro de 2023, acompanhado de políticos, jornalistas, influenciadores e integrantes do Poder Judiciário.

Rabah também menciona a viagem realizada em janeiro de 2024 pelo ministro do STF André Mendonça, que participou de uma comitiva de magistrados organizada pela CONIB e pela StandWithUs Brasil. Segundo a imprensa à época, a viagem foi custeada integralmente pelas duas entidades.

Bialski acusa Rabah de “antissemitismo”

Na ação, Bialski sustenta que o vídeo ultrapassa os limites da liberdade de expressão e caracteriza, segundo sua argumentação, “discurso de ódio”, “antissemitismo”, “desinformação” e ofensas à sua honra.

O advogado também contesta referências feitas por Rabah a uma suposta influência de Israel sobre o processo político brasileiro.

Entre os elementos utilizados na ação estão expressões empregadas no vídeo, como “vassalos de ‘Israel’”, além do uso de determinadas legendas em letras maiúsculas.

Bialski pede que o conteúdo seja retirado das redes sociais e plataformas digitais e também solicita a aplicação de multa eleitoral.

Ualid Rabah contesta acusação

Em resposta publicada pela FEPAL, Rabah rejeita a acusação de antissemitismo e afirma que suas críticas seriam dirigidas ao sionismo, ao governo israelense e à atuação de pessoas que, segundo ele, fazem lobby em defesa de interesses israelenses no Brasil, e não a judeus enquanto grupo religioso ou cultural.

Rabah também sustenta que a ação judicial teria relação com o debate sobre os limites das críticas a Israel e ao sionismo no Brasil.

“Ele pode até ser menos advogado que lobista, mas não ignorante o suficiente para deixar de saber que não cometi antijudaísmo”, afirmou Rabah à FEPAL.

Rabah também relaciona o episódio ao Projeto de Lei 1.424/2026, apresentado na Câmara dos Deputados por Tabata Amaral e outros parlamentares.

O texto oficial da Câmara informa que a proposta tem como objetivo “definir antissemitismo com a finalidade de instruir as políticas públicas nacionais”. O projeto está em tramitação e aguarda designação de relator na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial.

Na avaliação de Rabah, entretanto, a proposta poderia ser utilizada para restringir críticas ao Estado de Israel e ao sionismo. Essa é uma interpretação defendida pelo candidato e não uma conclusão estabelecida no texto oficial do projeto.

Viagem de André Mendonça a Israel

A viagem de André Mendonça citada por Rabah ocorreu em janeiro de 2024.

Na ocasião, o ministro do STF integrou uma comitiva de magistrados brasileiros convidada pela CONIB e pela StandWithUs Brasil. As entidades afirmaram que a iniciativa tinha caráter privado e era integralmente custeada por elas, com o objetivo declarado de apresentar aos participantes a realidade de Israel após os ataques de 7 de outubro de 2023. Mendonça foi o único ministro do STF integrante da viagem.

Além da retirada do vídeo já publicado, Bialski pediu uma medida cautelar preventiva para impedir que Rabah ou a FEPAL publiquem novos conteúdos semelhantes. O pedido previa multa diária em caso de descumprimento.

Justiça Eleitoral nega retirada imediata

A juíza auxiliar Adriana de Lourdes Simette, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), não acolheu o pedido imediato de retirada do vídeo.

Segundo a FEPAL, a magistrada entendeu que o instrumento utilizado por Bialski, uma Notícia de Fato, não permitia determinar de forma sumária a remoção do conteúdo.

O caso foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, que deverá analisar os fatos e decidir se há elementos para apresentar uma representação eleitoral contra Rabah.

Rabah sustenta que o episódio deve ser analisado dentro de um contexto mais amplo da disputa política brasileira. Segundo ele, haveria uma tentativa de influência de interesses estrangeiros e do sionismo sobre as eleições brasileiras, com o objetivo de impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O candidato também associa a ação de Bialski a uma suposta articulação entre setores do bolsonarismo, Donald Trump e grupos pró-Israel. Essas afirmações são alegações políticas de Rabah, e não fatos estabelecidos judicialmente.

Com a negativa do pedido imediato de retirada do vídeo, o caso segue para análise do Ministério Público Eleitoral.

Bialski busca que o órgão apresente uma representação contra Rabah, além da aplicação de sanções eleitorais e de medidas para impedir novas publicações consideradas irregulares.

Rabah, por sua vez, afirma acreditar que o caso será arquivado e sustenta que suas manifestações estão relacionadas a críticas políticas ao sionismo, ao Estado de Israel e à atuação de grupos de lobby no Brasil.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/advogado-de-vorcaro-vai-a-justica-contra-ualid-rabah-e-pede-retirada-de-video-do-ar/