Amazônia, comércio e democracia: europeus veem riscos em eventual governo Flávio

O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Divulgação/Charles Vieira

Entidades e análises europeias apontam riscos ambientais, comerciais e diplomáticos em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. A proteção da Amazônia e a preservação do Estado de direito estão entre as preocupações relatadas em reportagem da Folha de S.Paulo depois de o senador terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A Fundação Plant-for-the-Planet, sediada em Berlim, avalia que um novo governo da família Bolsonaro elevaria o risco de enfraquecimento dos órgãos de proteção florestal. A entidade também considera possíveis restrições à criação de áreas protegidas e territórios indígenas, anistias que incentivem o desmatamento ilegal e redução da cooperação internacional nessa área.

Outra preocupação é a continuidade do Fundo de Florestas Para Sempre, o TFFF, lançado pelo governo Lula antes da COP30, em Belém. O mecanismo ainda não alcançou o apoio necessário, o que torna sua manutenção um dos pontos de atenção para organizações envolvidas na proteção das florestas.

No campo diplomático, é indicado uma aproximação maior com o governo de Donald Trump, o que poderia afastar o Brasil da União Europeia. Lula é reconhecido no continente pela redução do desmatamento e pelo empenho no acordo entre o bloco europeu e o Mercosul, apesar de divergências sobre a guerra na Ucrânia.

Amazônia
Garimpo ilegal em área de reserva ambiental na Amazônia. Foto: Adriano Machado/Reuters

A agenda ambiental também tem consequências comerciais. Oscompromissos relacionados à proteção florestal e a padrões de produção integram as exigências europeias para o pacto com o Mercosul. Um eventual enfraquecimento dessas políticas poderia ampliar resistências ao acordo, que já enfrenta oposição de setores agrícolas do continente.

Flávio Bolsonaro já atacou o presidente francês Emmanuel Macron em uma entrevista à CNews, em fevereiro, quando o chamou de “incompetente” e criticou suas visitas à Amazônia. Na mesma entrevista, porém, o senador descreveu o acordo UE–Mercosul como um passo importante, posição que precisa ser considerada ao avaliar suas propostas para o comércio com a Europa.

As preocupações relatadas também abrangem a democracia e o Estado de direito, diante do histórico de Jair Bolsonaro, condenado pela tentativa de golpe. Os cenários apresentados são avaliações sobre um possível governo do senador; seus efeitos dependeriam das decisões adotadas caso ele vença o segundo turno.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/amazonia-comercio-e-democracia-europeus-veem-riscos-em-eventual-governo-flavio/