Ameaças, ataques hacker e plano internacional: os argumentos da PF para manter Vorcaro preso

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro e tornadas públicas na última terça-feira (16) reforçam argumentos usados pela Polícia Federal e pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para manter o empresário preso nas investigações do caso Master. O material aponta a existência de uma estrutura paralela voltada à obtenção de informações sigilosas, intimidação de adversários e interferência em apurações.

Os documentos obtidos pelo Globo descrevem a atuação de grupos coordenados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Ele é apontado pela PF como operador de uma rede formada por policiais federais, hackers e produtores de conteúdo. Segundo os investigadores, a estrutura atuava em favor dos interesses de Vorcaro e de empresas ligadas ao Banco Master.

A divulgação ocorre em meio à rejeição da segunda proposta de delação de Vorcaro pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão ampliou a indefinição sobre o futuro prisional do ex-banqueiro, que está na superintendência da PF em Brasília. A corporação pediu sua transferência para uma penitenciária federal, decisão que caberá ao ministro André Mendonça.

Nesta terça, Vorcaro também sofreu novo revés no STF. A Segunda Turma manteve a prisão de seu pai, Henrique, e de seu primo, Felipe, sob o entendimento de que havia riscos concretos de obstrução de justiça caso fossem soltos ou colocados em prisão domiciliar.

Nos documentos, a PF reúne episódios considerados evidências da continuidade das atividades do grupo e do risco de interferência nas investigações. Em uma das frentes, os investigadores afirmam que integrantes da chamada “Turma” realizavam levantamentos sobre inquéritos policiais e processos judiciais, inclusive sigilosos, além de consultas a sistemas restritos e monitoramento de pessoas consideradas de interesse do empresário.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”. Foto: reprodução

As mensagens também apontam a atuação de um núcleo identificado como “Os Meninos”, formado por hackers. Segundo a PF, eles seriam responsáveis por invadir contas e perfis na internet, obter senhas, remover conteúdos considerados prejudiciais a Vorcaro e impulsionar publicações favoráveis ao grupo empresarial.

Os investigadores afirmam que os grupos recebiam pagamentos mensais intermediados por Mourão. Para a PF, havia divisão estruturada de tarefas e recursos entre os núcleos, o que indicaria atuação permanente e organizada.

Os elementos se somam a outros episódios já citados na investigação, como supostas ações para pressionar autoridades, monitorar alvos de interesse, produzir dossiês e obter informações protegidas por sigilo. Em decisões anteriores, Mendonça apontou que a liberdade de Vorcaro poderia representar risco concreto à instrução processual.

A defesa de Vorcaro nega irregularidades e sustenta que o empresário é alvo de uma investigação baseada em interpretações equivocadas de mensagens e relações profissionais legítimas.

Diálogos interceptados pela PF também indicam que o ex-controlador do Banco Master teria planejado uma emboscada com “droga” contra o DJ e ex-jogador da NBA Ronald Fred Seikaly, como forma de vingança. O plano teria começado a ser executado pela chamada “Turma”.

Rony Seikaly atuou na NBA entre 1988 e 1999 e teve um relacionamento com Martha Graeff, com quem tem uma filha. À época das mensagens, Graeff se relacionava com Vorcaro. Segundo a investigação, integrantes do grupo chegaram a usar o login de uma servidora do Ministério Público Federal para produzir um ofício falso à Interpol em busca de informações sobre Seikaly.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/ameacas-ataques-hacker-e-plano-internacional-os-argumentos-da-pf-para-manter-vorcaro-preso/