Ameaças e bronzeador no estofado: Marinheiro detalha tensão nas festas de Vorcaro em iate

O marinheiro Luis Felipe Woyceichoski durante depoimento. Foto: Reprodução

O marinheiro Luis Felipe Woyceichoski afirmou à Polícia Federal que sofreu ameaças após registrar ocorrências envolvendo o uso do iate Solar, embarcação utilizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro em Angra dos Reis. Segundo ele, os registros tinham o objetivo de documentar danos e evitar que a tripulação fosse responsabilizada por prejuízos causados durante os passeios.

Woyceichoski comandou a embarcação por um ano e sete meses e relatou que mantinha um diário de bordo com ocorrências registradas durante as viagens. Entre elas estavam colisões com jet ski, quebra de objetos de alto valor e danos ao estofado do barco.

“No caso do uso do jet ski por uma convidada do Daniel (Vorcaro). Ela colidiu de forma leve na popa da embarcação, retornou e bateu na escada. Aí eu peguei e fiz um take (foto) desse momento”, contou. O ex-comandante também relatou a destruição de utensílios de luxo durante festas a bordo.

“Outro (episódio): taças muito caras, de vinho, espumante, marcas renomadas. Taças que valem mais de mil reais eram colocadas dentro d’água. Quando ligava o hidrojato, as taças quebravam. Dez taças, R$ 10 mil”, prosseguiu.

Segundo o depoimento, outras situações geravam preocupação na tripulação. “Por exemplo: as mulheres passavam bronzeador e se deitavam no estofado próximo à piscina. Ficava manchado. Então, a gente ficava preocupado. Daqui a pouco, a esposa do cara chega para mim e fala: ‘Pô, quem usou esse estofado?’ Eu ficava numa condição super constrangedora”, afirmou.

O marinheiro disse que os registros começaram a provocar reações. “Eu fazia o diário de bordo: ausência de dez taças, de colher de prata. Isso começava a recair sobre nós (tripulação). No começo vinha a desconfiança. Foi posteriormente depois de uma reunião dessa que eu recebi a primeira ameaça”.

Benetti Oasis 40M, modelo que era utilizado por Vorcaro em Angra dos Reis. Foto: Reprodução

Ele contou que, em junho de 2024, recebeu uma ligação de um homem identificado como Manoel, que teria demonstrado conhecer detalhes de sua rotina. “Ele (Manoel) começou a esboçar para mim de forma muita intimidatória que sabia quem eu tinha sido, que tinha me visto no centro de Angra, horário em que eu entrava, que eu estava com a minha mulher e que tinha sido agente prisional em Goiás.”

As investigações apontam que, um mês antes da ameaça, Vorcaro pediu informações sobre o comandante da embarcação. Em mensagem interceptada pela PF, o banqueiro escreveu: “Cara, capitão (do) meu barco fez uma gravação minha. Vamos ter que sentar com ele. Ele foi policial. Então, é metido a besta”.

Após ser demitido em julho de 2024, Woyceichoski afirmou ter deixado Angra dos Reis imediatamente. “Tive que sair correndo de Angra dos Reis. Nós abandonamos muita coisa lá no apartamento. Liguei para um parente, jogamos tudo dentro do carro, e voltei direto para o sul”, relatou.

Ele também questionou a motivação das ameaças: “O único jeito de confirmar (a história) era chegar para o Daniel (Vorcaro) e perguntar: pô, você mandou fulano vir para cá por causa de uma coisa técnica que eu estava constantemente reportando. Bebedeiras, pô, coisas sem freio, e você ameaça a mim e a minha família por conta disso”.

Os relatos integram a Operação Compliance Zero, que investiga a atuação de um grupo conhecido como “A Turma”, ligado a Vorcaro. Segundo a PF, o grupo seria responsável por monitorar, intimidar e levantar informações sobre pessoas consideradas contrárias aos interesses do Banco Master.

Vorcaro e Manoel Mendes Rodrigues, apontado como líder da organização no Rio de Janeiro, estão presos preventivamente por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Veja trecho do depoimento:

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/ameacas-e-bronzeador-no-estofado-marinheiro-detalha-tensao-nas-festas-de-vorcaro-em-iate/