A operação da Polícia Civil de São Paulo contra a produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, também mirou quatro empresas que podem ter relação com suspeitas de desvio de verba pública. A apuração investiga se o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, usou faturas e notas fiscais descritas como frias para justificar despesas pagas pela Prefeitura de São Paulo.
Karina também é dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. Segundo a investigação, há indícios de “desvio de finalidade e confusão patrimonial” entre o instituto, contratado pela gestão Ricardo Nunes para o programa de Wi-Fi Livre, e a produtora da cinebiografia de Bolsonaro.
Quatro faturas emitidas pela Make One Lab somam R$ 8,5 milhões e, segundo a decisão judicial que autorizou a operação, estavam sem as respectivas notas fiscais ou recolhimento tributário correspondente. O documento aponta ainda que as faturas tinham numeração sequencial, mesma data de emissão e vencimento e valores fracionados, o que sugeriria possível montagem documental.
A Polícia Civil também apura notas fiscais canceladas pelas empresas emissoras. O caso envolve a Complexsys Soluções Integradas, de São Paulo, e a JR Feijão, sediada no Ceará, em documentos que somam R$ 2,4 milhões. No caso da Complexsys, as notas teriam sido canceladas no mesmo dia da emissão, mas usadas pelo ICB na prestação de contas do contrato.

A Complexsys recebeu R$ 154 mil do gabinete de Mário Frias entre setembro de 2024 e abril deste ano, por serviços de apoio à manutenção de escritório parlamentar, segundo dados da Transparência da Câmara. Frias, ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro, também assina a produção de Dark Horse.
Outras duas empresas, Urban Connect e Ultra IP, também tiveram busca e apreensão autorizada pela Justiça. Elas aparecem na investigação porque o ICB não executou diretamente a instalação dos pontos de wi-fi previstos no contrato e intermediou a contratação de empresas do setor de tecnologia.
A Polícia Civil sustenta que o contrato foi firmado por valor acima do mercado e que parte dos pagamentos ao instituto ocorreu sem prestação do serviço. A Prefeitura de São Paulo nega irregularidades, afirma que a contratação seguiu critérios de legalidade e diz que, dos 3.200 pontos contratados, apenas 52 estavam fora do ar nesta segunda-feira (1º), em manutenção.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/as-4-empresas-alvos-de-operacao-contra-produtora-de-dark-horse/

