As versões apresentadas por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e por envolvidos na produção de “Dark Horse” ampliaram a crise sobre o financiamento do filme que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde a divulgação de mensagens em que Flávio cobra repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, produtores, parlamentares e empresas ligadas ao projeto passaram a dar explicações divergentes sobre a origem dos recursos, os contratos e a estrutura usada nos pagamentos.
A Polícia Federal aprofundou as apurações sobre o destino do dinheiro diante das contradições. A principal linha de investigação busca esclarecer se os valores enviados ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e gerido por um advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram usados apenas na produção do longa ou se também ajudaram a custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.
Flávio inicialmente negou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme sobre seu pai, chamando a informação de “mentira”. Depois, admitiu ter buscado patrocínio privado e confirmou a existência de um contrato envolvendo o banqueiro.
“Sim, tinha um contrato”, disse o senador. Em entrevista à GloboNews, ele afirmou que não havia tratado do tema antes por causa de cláusulas de confidencialidade.
malu: pq o sr disse que não conhecia vorcaro enquanto negociava patrocínio com ele?
flávio: eu tinha contrato de confidencialidade com ele
malu: o sr é um homem público, deve mais ao contrato com vorcaro ou ao eleitor?hahaha
VORCARO FINANCIOU BOLSONAROS
CADÊ O DINHEIRO FLAVIO? pic.twitter.com/4bzeugqSdh— pois foi (@_nomecomposto) May 14, 2026
Uma das lacunas envolve quem assinou o contrato e quais eram as partes formais do acordo. Flávio disse que Vorcaro “tinha um contrato” e que deixou de pagar parcelas previstas para o filme.
O deputado e produtor-executivo Mario Frias (PL-SP), porém, afirmou que o contrato não foi firmado com Vorcaro nem com o Banco Master, mas com a Entre Investimentos, descrita por ele como uma “pessoa jurídica distinta”.
Também há dúvidas sobre a transferência efetiva dos recursos. Enquanto Flávio fala em “parcelas” pagas por Vorcaro e admite que o financiamento precisou ser completado por outros investidores, a produtora GoUp não confirma o valor aportado pelo banqueiro. A versão diverge da apresentada pelo publicitário Thiago Miranda, que disse ter intermediado a negociação. Reportagens já publicadas apontam transferências de R$ 61 milhões.
Outro ponto investigado é o papel do Havengate, descrito por Flávio como fundo “exclusivo” para financiar o filme. A PF tenta apurar se o longa era de fato o destino final dos recursos ou se a estrutura também bancou despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, o que ele nega. Documentos e relatos sobre possível atuação de Eduardo como produtor-executivo deram novo fôlego à investigação.

A relação entre Flávio e Vorcaro também passou a ser questionada. O senador afirma que conheceu o banqueiro apenas em dezembro de 2024 e que os contatos se limitaram ao filme, mas admitiu que novos registros podem surgir. “Pode vazar novas conversas, pode vazar um videozinho mostrando o estúdio que eu posso ter enviado, algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo exclusivamente para tratar somente do filme” disse à CNN Brasil.
A crise ganhou outra frente após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), abrir apuração preliminar sobre emendas parlamentares destinadas por deputados bolsonaristas a uma ONG ligada à sócia da produtora do filme.
Segundo o STF, deputados do PL enviaram R$ 2,6 milhões em emendas Pix, em 2024, à entidade. A investigação não trata diretamente do dinheiro de Vorcaro, mas ampliou as dúvidas sobre a estrutura financeira em torno de “Dark Horse” e sobre os investidores do projeto.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/as-contradicoes-e-o-que-flavio-bolsonaro-nao-explicou-sobre-o-financiamento-de-dark-horse/

