A Operação Caldarium recuperou um áudio de 46 minutos em que auditores fiscais da Receita Estadual de São Paulo conversam sobre supostas propinas, divisões de valores e fiscalizações. O Ministério Público de São Paulo deflagrou a ação na quinta-feira (03) e prendeu o auditor André Weiss e um advogado sob suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção ligado ao ressarcimento de créditos tributários.
A gravação ocorreu em um almoço em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, em 23 de julho de 2023. Ao recordar relatos atribuídos a colegas, um dos participantes disse: “era cada diligência um Fusca, né?” e em seguida reproduziu outra fala: “Todo dia era um Fusca zero”.
No mesmo trecho, o grupo mencionou uma mulher identificada como Rita. “Eu que era mais, tirava 300 mil por cada saída na década de 90”, diz a fala reproduzida durante o encontro, conforme a transcrição elaborada pelos peritos do Ministério Público.
O áudio estava no celular de Artur Gomes da Silva Neto, chamado de King. Preso na Operação Ícaro em agosto de 2025, ele confessou participação no esquema investigado, segundo a apuração, e decidiu gravar a conversa. Os investigadores avaliam que ele buscava comprometer outros fiscais caso viesse a ser responsabilizado sozinho.

Transcrição cita rateios, extorsão e plano para lavar dinheiro
Além de King e Weiss, estavam no almoço os auditores Valmir Lucas Dornelles, Edgar Ishida, Bruno Alves de Oliveira e Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como PP e delator do esquema. Um homem identificado apenas como Eduardo se juntou ao grupo mais tarde; os investigadores ainda tentam confirmar sua identificação completa.
Em outra parte da conversa, os participantes discutem o rateio relacionado a três casos de grandes empresas do varejo que entraram na mira das investigações. “São três casos em que os números na nossa conta não batem”, afirma um dos interlocutores, antes de mencionar uma “divisão” e valores que não teriam sido recebidos.
O documento do Ministério Público também registra uma conversa sobre um fiscal chamado Daniel e um empresário que estaria sob pressão. A transcrição resume o trecho como um caso de extorsão e traz a fala: “O cara lá tá meio enrolado com a gente. É porque ele ficou enrolado com o Daniel. O Daniel assaltou.”
Weiss, que exercia a chefia da Diretoria Executiva da Administração Tributária, falou no encontro sobre comprar uma sauna em São Paulo para lavar dinheiro de propinas. “Vamos juntar uma grana e vamos pegar uma p de uma sauna, né? E pra lavar também é bom”, disse. A Secretaria da Fazenda paulista afirmou que, desde a Operação Ícaro, demitiu cinco envolvidos, exonerou um servidor e afastou 17 sem remuneração, além de constituir mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros contra empresas investigadas.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/audio-fiscais-propinas-operacao-caldarium-sao-paulo/

