Azul, Latam e Gol têm cerca de 60 aviões parados

Avião da Azul em armazém. Foto: reprodução

Azul, Latam e Gol mantêm cerca de 60 aeronaves paradas no Brasil por problemas de manutenção em motores, um reflexo local de uma crise global que pressiona companhias aéreas e fabricantes. O volume equivale a aproximadamente 12% da frota somada das três empresas.

Dados do site Planespotters apontam 14 jatos da Latam fora de operação, em uma frota de 174 aeronaves. A Gol tem 10 aviões parados entre 146 unidades, enquanto a Azul concentra o maior impacto proporcional, com 37 aeronaves em solo entre 170, cerca de 22% de sua frota.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo estima que os atrasos e falhas relacionados aos motores já provocaram prejuízo de pelo menos US$ 11 bilhões em 2025 no mundo. A conta inclui o uso prolongado de aviões mais antigos, que consomem mais combustível, e despesas adicionais com manutenção.

A crise atinge principalmente duas famílias de motores lançadas há cerca de dez anos: o Leap, fabricado pela CFM International, joint venture da GE Aerospace com a Safran Aircraft Engines, e o GTF, da Pratt & Whitney. Eles equipam modelos de grande demanda, como Boeing 737 MAX e Airbus A320neo.

Aviões da Azul parados em aeroporto no interior de SP. Foto: reprodução

Falhas em motores Leap e GTF elevam tempo de manutenção

Os motores GTF também equipam o Airbus A220 e o Embraer E195-E2. Em março de 2025, o problema chegou ao pico nessa linha, com 648 aeronaves paradas aguardando manutenção, o equivalente a 28% da frota mundial equipada com esse motor; o índice atual está em 23%.

No caso da CFM, o levantamento da Iata aponta falhas típicas da fase de amadurecimento tecnológico, com redução de até 30% no intervalo de operação entre uma manutenção e outra. Entre os problemas relatados está a durabilidade das pás da turbina sob temperaturas elevadas; ajustes para correção devem ser aplicados em até cinco anos.

A situação da Pratt & Whitney envolve uma anomalia nos discos da turbina de alta pressão e do compressor de alta pressão, o que ampliou a demanda por reparos. A falta de peças e de capacidade nas oficinas faz aeronaves ficarem até 300 dias em manutenção, contra um padrão de 120 dias; a empresa não retornou aos questionamentos, enquanto a CFM afirmou que investiu para ampliar a produção e reduzir custos.

A Iata projeta aumento forte da demanda por oficinas nos próximos anos. As visitas anuais para motores Leap devem sair de uma faixa entre 600 e 800 em 2025 para mais de 5 mil até 2040, enquanto os GTF devem passar de mil para mais de 2 mil; a entidade também defende acesso livre a manuais de oficina e licenciamento de fabricantes terceirizadas para produzir peças de reposição.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/azul-latam-gol-avioesparados-crise-global-motores/