Banco do Brasil se antecipa e traça estratégias para se proteger de novas sanções dos EUA

Agência do Banco do Brasil – Reprodução

O Banco do Brasil avalia planos de contingência diante da possibilidade de novas sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ter sido alvo da Lei Magnitsky. Segundo fontes ouvidas, a instituição acionou escritórios de advocacia norte-americanos e especialistas em políticas públicas para entender o impacto de eventuais medidas contra clientes ou contra o próprio banco. Com informações do Globo.

Entre as alternativas discutidas, executivos consideraram desviar parte das transações em dólar realizadas nos EUA — onde o banco mantém cerca de 50 mil clientes e escritórios em Nova York e Miami — para outras unidades no exterior.

Contudo, tais operações continuariam sob supervisão do Federal Reserve, o que limita as opções. Em nota, o Banco do Brasil afirmou ter “compromisso absoluto com o cumprimento das leis brasileiras e internacionais”.

A situação se agravou após os EUA sancionarem Moraes em agosto, bloqueando acesso a ativos em território americano. Duas semanas depois, o STF decidiu que ordens judiciais de governos estrangeiros só têm validade no Brasil se forem aprovadas internamente, o que não impediu os efeitos já aplicados ao ministro. Fontes indicam que executivos do BB debatem até a possibilidade de transferir contas de ministros para bancos públicos menores.

ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes falando em microfone, sérioministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes falando em microfone, sério
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes – Reprodução

O Ofac, órgão do Departamento do Tesouro dos EUA, enviou cartas a bancos brasileiros pedindo informações sobre o cumprimento da Lei Magnitsky. A medida aumentou a pressão sobre as instituições, que temem multas bilionárias em caso de descumprimento das regras americanas. A preocupação é de que novas sanções atinjam outros ministros do STF ou o próprio Banco do Brasil, responsável pela folha de pagamento do Supremo.

As incertezas afetaram o desempenho das ações do Banco do Brasil. No dia 3 de setembro, os papéis chegaram a cair 3% após a CNN Brasil noticiar que o governo Trump avalia medidas adicionais contra a instituição. A presidente do banco, Tarciana Medeiros, também denunciou uma campanha de desinformação atribuída a apoiadores de Jair Bolsonaro, que teria como objetivo ampliar o temor de clientes e investidores.

Instituições financeiras brasileiras analisam casos internacionais para se preparar. Em 2014, o francês BNP Paribas pagou multa de US$ 9 bilhões por violar sanções americanas relacionadas a Cuba, Irã e Sudão, além de ser proibido temporariamente de operar em dólares nos EUA. O precedente mostra a dimensão dos riscos enfrentados pelo Banco do Brasil, caso seja incluído na lista de sanções.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/banco-do-brasil-se-antecipa-e-traca-estrategias-para-se-proteger-de-novas-sancoes-dos-eua/