A parcela de brasileiros que enviou dinheiro para bets desde o início da Copa do Mundo chegou a 34,8% da população, quase três vezes os 11% registrados em maio, aponta levantamento da fintech Klavi com base em dados do Open Finance, sistema de integração de informações do Banco Central.
A Klavi analisou uma amostra de 1,2 milhão de pessoas e identificou aumento no volume de apostas durante o mundial da Fifa. No domingo (28), o valor médio depositado por usuário foi de R$ 272, acima da média de R$ 188 observada nos dias anteriores ao torneio.
O patamar diário de depósitos permanece acima de R$ 188 desde o início do campeonato. O maior valor médio apareceu em 14 de junho, um dia depois do jogo da seleção brasileira contra o Marrocos, quando cada apostador depositou, em média, R$ 524.
Os dados consideram transferências para bets legalizadas e não incluem dinheiro enviado a apostas clandestinas. Mais de 60% dos depósitos em sites de apostas ocorreram depois das 18h, faixa que concentra boa parte das transmissões da Copa, enquanto apenas 10% foram feitos pela manhã, período sem partidas.
A Klavi lançou um dashboard para monitorar as bets durante a copa, a partir de dados de 1,2 milhões de pessoas que tem consentimento ativo no Open Finance pela plataforma deles pic.twitter.com/vmIjhD6hGT
— seriously injured and lost in the woods (@lucas_marcomini) June 11, 2026
Publicidade das bets entra na mira de órgãos públicos
O levantamento também mostra concentração de gastos entre apostadores de maior volume, conhecidos como “high rollers”. Os 10% que mais fizeram depósitos gastaram 20 vezes o montante enviado pelos outros 90%.
Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Ambulatório de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, afirma que apostadores compulsivos apresentam mais comportamentos de risco durante a noite. “É quando as pessoas não estão sob a vigilância do cônjuge e têm menor contenção”, disse.
No Brasil, as regras para propaganda de bets exigem avisos de desestímulo ao jogo e advertências sobre possíveis danos. A fiscalização cabe ao Ministério da Fazenda, que pode aplicar multas de até R$ 2 bilhões; em outros países, há restrições por horário ou formato, como na Austrália, no Reino Unido, em Portugal, na Holanda e na Bélgica.
A CazéTV é investigada pelo Ministério da Justiça por suspeita de práticas abusivas em anúncios, incluindo promessa de prêmios majorados para atrair novos clientes. O canal do YouTube afirmou que mudanças recentes na exibição de marcas de apostas respondem a preocupações do governo e do Conar, enquanto Globo e SBT, também monitoradas pela pasta, declararam atuar em conformidade com a legislação brasileira.
Grupos de saúde e direitos digitais temem que empresas prefiram descumprir regras se avaliarem que o retorno financeiro supera eventuais punições. Luã Cruz, diretor da entidade Ctrl+Z, comparou a estratégia a práticas de setores regulados: “O setor financeiro e o de telecomunicações, por exemplo, são reiteradamente condenados por cobranças indevidas, venda casada e tarifas não contratadas”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bets-copa-348-brasileiros-diz-pesquisa/

