Brasil, Alemanha e Itália fora das semifinais da Copa

Brasil, Alemanha e Itália somam 13 títulos de Copas do Mundo – Foto: Reprodução

A Copa do Mundo de 2026 terá a terceira edição seguida sem Brasil, Alemanha e Itália nas semifinais, apesar de as três seleções somarem 13 títulos mundiais. O Brasil, pentacampeão, caiu nas oitavas de final para a Noruega; a Alemanha, tetracampeã, parou no Paraguai; e a Itália, também tetra, nem se classificou para o torneio.

O Brasil vive seu maior jejum em Copas desde o primeiro título, em 1958. A seleção não levanta a taça desde 2002 e chegará a 2030 com 28 anos sem vencer o Mundial, intervalo equivalente ao período entre a primeira Copa, em 1930, e a conquista brasileira na Suécia.

A eliminação para a Noruega ampliou um trauma específico da seleção brasileira: a sequência de quedas para rivais europeus no mata-mata. Desde 2006, o Brasil saiu contra França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Croácia e Noruega, uma série que inclui a pior campanha brasileira desde 1990.

A Itália entrou em decadência após o título de 2006, caiu ainda na fase de grupos em 2010 e 2014 e ficou fora das Copas de 2018, 2022 e 2026 após derrotas em repescagens. A Alemanha, campeã em 2014, caiu na primeira fase em 2018 e 2022 e sofreu em 2026 sua primeira derrota em disputas de pênaltis na história dos Mundiais.

Vini Jr. comemora gol pela seleção brasileira
Vini Jr. comemora gol pela seleção brasileira durante partida contra o Japão. Foto: Reprodução

Crises envolvem CBF, comando alemão e base italiana

No caso brasileiro, a crise passou pela instabilidade na CBF e no comando técnico. Depois da saída de Tite, Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior ocuparam o cargo antes da chegada definitiva de Carlo Ancelotti; no mesmo ciclo, Ednaldo Rodrigues e Samir Xaud dividiram o período de comando da confederação em uma disputa política que chegou à Justiça.

A turbulência na entidade se soma a um problema de formação de jogadores. A seleção acumulou carências em laterais, armadores capazes de controlar o ritmo do jogo e centroavantes de referência, enquanto os clubes passaram a revelar mais atletas de ponta, como Vini Jr., Rodrygo, Raphinha, Rayan, Luiz Henrique e Martinelli.

Na Alemanha, a lista de convocados ainda reuniu nomes de peso, como Rüdiger, Tah, Kimmich, Musiala, Wirtz e Undav, mas a seleção atravessou sucessivas trocas de processo desde o tetra. Joachim Löw permaneceu no cargo após os fracassos, Hansi Flick teve passagem curta e Julian Nagelsmann, de 38 anos, deixou o comando depois da queda para o Paraguai. “As pessoas responsáveis precisam enfrentar as consequências. Não há outra forma de dizer isso”, disse Mats Hummels, campeão mundial em 2014, à Magenta TV.

A Itália enfrenta o quadro mais prolongado, com três Copas seguidas sem jogar. Gabriele Gravina, ex-presidente da federação italiana, atribuiu parte da crise à perda de identidade tática; Gianluigi Buffon, campeão mundial em 2006, afirmou à Sky Sports: “Temos vergonha de quem somos há vinte anos. Durante todo esse tempo, senti que tentávamos jogar como a Espanha e, com isso, desistimos da nossa história. O talento desaparece por causa disso”.

Os clubes italianos também reduzem espaço para atletas locais. Na última temporada, 68% dos jogadores que atuaram na liga não eram italianos, e o último campeão europeu do país, a Inter de Milão de 2010, não tinha nenhum italiano entre os titulares. Cesare Prandelli, primeiro diretor técnico da história do futebol italiano, disse ao Corriere della Sera: “Se a Itália tivesse hoje um jogador do nível de Lamine Yamal, provavelmente o estragaria”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/brasil-alemanha-italia-fora-semifinais-copa-3a-edicao-seguida/