Brasil passa os EUA e lidera o ranking global de investimentos da China

Lula e Xi Jinping em Pequim. Foto: Ricardo Stuckert

O Brasil voltou a ocupar o primeiro lugar global entre os destinos de investimentos chineses em 2025, segundo dados divulgados na última quinta-feira (7) pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O país recebeu 10,9% de todo o capital chinês enviado ao exterior, ficando à frente dos Estados Unidos, com 6,8%, e da Guiana, com 5,7%.

Ao todo, o Brasil atraiu US$ 6,1 bilhões em investimentos chineses, distribuídos em dezenas de projetos. O valor representa uma alta de 45% em relação a 2024 e reflete o movimento de empresas chinesas para diversificar sua presença na maior economia da América Latina, especialmente nos setores de energia limpa, mineração e indústria.

Nos últimos cinco anos, o Brasil alternou entre a primeira e a quinta posição no ranking dos principais destinos globais do capital chinês. O país já havia liderado a lista em 2021, de acordo com o CEBC. Entre os fatores que tornam o mercado brasileiro atrativo estão a moeda mais fraca, o grande mercado consumidor, a abundância de recursos naturais e a matriz energética limpa.

“Há apenas alguns poucos países no mundo hoje que têm todas essas características”, afirmou Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, à Reuters.

O setor elétrico continuou liderando o fluxo de capital chinês para o Brasil em 2025. A mineração, porém, registrou forte retomada de interesse, com investimentos triplicando no período. O setor automotivo também ganhou destaque, ficou em terceiro lugar no ranking geral e respondeu por 15,8% do total investido por empresas chinesas no país.

Nos últimos anos, montadoras como GWM e BYD compraram fábricas que pertenciam a empresas ocidentais e passaram a transformá-las em polos de produção de veículos elétricos e híbridos. As duas companhias também registraram forte crescimento de vendas no mercado brasileiro.

Lula em uma fábrica da BYD em Camaçari (BA). Foto: Ricardo Stuckert

O capital chinês avançou ainda em áreas como tecnologia da informação, logística, fabricação de eletrônicos, serviços da economia digital e alimentação rápida. A produção de aparelhos eletrônicos recebeu novos aportes em 2025, como no caso da Vivo Mobile, que lançou no país a marca de smartphones Jovi.

“O Brasil é uma prioridade estratégica de longo prazo para a Jovi”, afirmou Andre Varga, diretor de produtos da empresa, em entrevista em março. “É um mercado com grande potencial, ainda concentrado em poucos players, o que nos oferece uma oportunidade de criar diferenciação e agregar valor ao consumidor”.

Segundo o CEBC, os investimentos chineses no Brasil devem seguir influenciados por políticas domésticas, especialmente as ligadas à transição energética, e por fatores externos, como tensões geopolíticas e a busca global por descarbonização.

“Veremos a continuidade desses projetos, e talvez eu apostaria em uma intensificação no setor de mineração, na área de novas energias e também no setor industrial em geral, onde temos visto crescimento considerável”, disse Cariello.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/brasil-passa-os-eua-e-lidera-o-ranking-global-de-investimentos-da-china/