A eliminação da Seleção brasileira por 2 a 1 nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 entrou para a lista das derrotas mais dolorosas do país no torneio. O resultado marcou o pior desempenho do Brasil desde 1990 e ampliou um jejum que chegará a 28 anos sem título mundial até a Copa de 2030.
Um levantamento da BBC News Brasil com especialistas em futebol reuniu os principais traumas da Seleção em Copas. O Brasil segue como o único país presente em todas as 23 edições do torneio, tem cinco títulos mundiais e acumula 18 eliminações ao longo da história.
O 7 a 1 para a Alemanha, em 2014, aparece entre os episódios mais lembrados. A Seleção comandada por Luiz Felipe Scolari jogava em casa, no Mineirão, em Belo Horizonte, e levou quatro gols entre os 23 e os 29 minutos do primeiro tempo, em um apagão que virou marca histórica da campanha.
O historiador Marcel Tonini, doutor pela USP e pesquisador do Centro de Referência do Futebol Brasileiro, definiu a derrota como “um balde de água fria, aquele desastre tático”. Para o jornalista e pesquisador Celso Unzelte, “perder para a Alemanha seria um resultado absolutamente normal. O placar é que não foi”.

Maracanazo expôs derrota esportiva e ferida racial
Em 1950, o Brasil entrou no jogo decisivo contra o Uruguai com vantagem no quadrangular final e clima de título antecipado no recém-inaugurado Maracanã. Friaça abriu o placar no início do segundo tempo, mas Schiaffino empatou e Ghiggia marcou o gol da virada uruguaia a pouco mais de 10 minutos do fim.
Tonini aponta que a derrota ganhou peso social porque a imprensa passou a culpar de forma especial Bigode, Juvenal e Barbosa, três jogadores negros. O sociólogo Rogério Baptistini, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirmou que Barbosa virou “bode expiatório” em um país marcado pela herança da escravidão e pelas desigualdades raciais.
A final de 1998 contra a França entrou na memória pela convulsão de Ronaldo antes da partida e pelas dúvidas sobre a escalação. O atacante chegou a ficar fora da formação anunciada, Edmundo apareceu como substituto, mas Ronaldo entrou como titular; a França venceu por 3 a 0, com atuação decisiva de Zinédine Zidane.
A chamada Tragédia do Sarriá, em 1982, deixou outra ferida. A Seleção de Telê Santana, com Zico, Sócrates, Falcão e Júnior, encantava pelo estilo ofensivo, mas caiu diante da Itália, que teve três gols de Paolo Rossi e depois conquistou o tricampeonato mundial.
Em 1966, o Brasil sofreu uma eliminação na primeira fase mesmo com nomes como Pelé, Garrincha, Tostão e Jairzinho. A equipe vinha de dois títulos mundiais, estreou com vitória sobre a Bulgária e depois perdeu por 3 a 1 para Hungria e Portugal, resultado que interrompeu o sonho do tricampeonato seguido.
A Batalha de Berna, em 1954, também aparece entre os traumas. A Seleção buscava superar o Maracanazo, já usava a camisa amarela escolhida em concurso e caiu por 4 a 2 contra a Hungria em uma partida com três expulsões, dois pênaltis e briga generalizada depois do apito final.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/brasil-soma-novo-trauma-em-copas-e-revive-7-a-1-maracanazo-e-final-de-1998/

