O governo brasileiro apresentou nesta quinta-feira (25) uma nova manifestação à Justiça italiana para tentar extraditar a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), agora no processo ligado à condenação pelo episódio em que ela sacou e apontou uma arma para um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
O pedido chegou à Corte de Cassação da Itália, última instância do Judiciário italiano, no âmbito da condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento desse caso em agosto de 2025.
A ofensiva ocorre depois de uma decisão da Justiça italiana, em maio, negar a extradição da ex-deputada no caso da invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça. Naquele processo, Zambelli recebeu pena de dez anos de prisão em maio do ano passado.
Documento citado pela Folha afirma haver “múltiplos elementos que levam a duvidar da imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal”. Os juízes italianos mencionaram a dupla condição do ministro Alexandre de Moraes: integrante da Primeira Turma do STF que julgou Zambelli e vítima do mandado de prisão falso atribuído à atuação da ex-deputada.

Manifestação brasileira tramita sob confidencialidade na Itália
A Advocacia-Geral da União, a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional e o Ministério das Relações Exteriores elaboraram o novo material enviado às autoridades italianas. A AGU informou que a íntegra tramita “sob regime de confidencialidade perante as autoridades competentes da República Italiana”.
A Corte de Apelação, instância anterior, analisou os dois processos envolvendo Zambelli em conjunto, mas produziu duas sentenças diferentes, uma no fim de março e outra no meio de abril. Nas duas, o tribunal defendeu a extradição da ex-deputada.
No caso da arma, o STF condenou Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão em regime inicial semiaberto e à perda do mandato por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. A acusação do Ministério Público se baseou no episódio de 29 de outubro de 2022, quando a então deputada perseguiu um homem após uma discussão no bairro dos Jardins, em São Paulo; um segurança dela fez um disparo e acabou preso pela Polícia Civil.
Relator do caso no STF, o ministro Gilmar Mendes afirmou em seu voto pela condenação: “O porte de arma de fogo concedido à acusada volta-se à sua defesa pessoal, razão pela qual a portadora não pode adentrar com o armamento em locais públicos, tampouco conduzi-lo ostensivamente, salvo, evidentemente, se necessário para assegurar sua própria defesa ou de terceiros”.
Zambelli foi para a Itália em junho de 2025 e a Justiça brasileira a considerou foragida. A polícia a deteve no fim de julho em um apartamento no bairro Aurélio, em Roma; no ano passado, a Justiça da Espanha negou a extradição do blogueiro Oswaldo Eustáquio Filho, e o governo dos Estados Unidos informou em 2024 que não extraditaria Allan dos Santos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/brasil-vai-a-ultima-instancia-da-italia-para-extraditar-zambelli/

