O brasilianista Anthony W. Pereira, professor de ciência política da Universidade Tulane, nos Estados Unidos, afirmou que Donald Trump pode interferir na eleição presidencial brasileira de 2026 para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e criar um ambiente de caos caso o resultado seja contestado. O pesquisador, de 67 anos, esteve no Brasil para um evento do Cebrap sobre crises democráticas no Brasil e nos EUA. Com informações de Folha de S.Paulo.
Pereira avalia que a disputa de 2026 gira em torno do risco de retrocesso democrático se o presidente Lula (PT) perder e se avançar uma anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro e na tentativa de golpe. Para ele, a medida representaria uma reversão no processo de responsabilização e poderia atingir outras áreas do Estado de Direito.
Ao comentar a eventual candidatura de Flávio Bolsonaro, o professor disse que o senador pode parecer mais moderado que o pai em aspectos superficiais, por não ter origem militar e não adotar o mesmo estilo truculento de Jair Bolsonaro. Ele ponderou, porém, que a família Bolsonaro mantém uma hierarquia política forte em torno do ex-presidente e que eleitores que esperem uma ruptura entre pai e filho podem se decepcionar.
O pesquisador citou a possibilidade de uma crise caso Flávio perca por margem estreita e não aceite o resultado, com apoio do governo Trump. “Se esse tipo de crise for prolongada sem um resultado concreto, pode gerar incentivo para intervenção das Forças Armadas ou talvez pressão para refazer eleições, algo sem precedentes nas últimas décadas da democracia brasileira”, afirmou.
Contestação das urnas e pressão externa

Pereira disse ver no discurso de Flávio Bolsonaro nos EUA uma continuidade da narrativa usada por Jair Bolsonaro em 2022, quando aliados do ex-presidente questionaram sem provas a lisura da eleição. Em março, Flávio pediu “pressão diplomática” para garantir eleições livres e justas no Brasil e condicionou isso à liberdade nas redes e à contagem correta dos votos.
O brasilianista comparou esse discurso à reação de Trump à derrota de 2020 nos Estados Unidos. Ele também distinguiu liberdade de expressão de ações como a divulgação de dados privados de agentes da Polícia Federal que investigavam os golpistas do ato terrorista de 8 de Janeiro, com incentivo a violência e exposição de endereços.
Pereira afirmou que Trump poderia interferir diretamente no processo eleitoral brasileiro e citou como contraste a atuação do governo Joe Biden em 2022, quando o Departamento de Estado dos EUA declarou confiança no sistema de votação eletrônico brasileiro após autoridades do Brasil explicarem o funcionamento das urnas em Washington. Ele disse duvidar que uma sinalização semelhante ocorra em 2026 sob Trump.
O professor também avaliou que a aproximação de Flávio Bolsonaro com Trump pode associar o senador a posições vistas como contrárias à soberania brasileira, incluindo tarifas e ações unilaterais dos EUA contra facções criminosas. Sobre um eventual governo Flávio, Pereira disse que Trump tenderia a buscar vantagens em áreas como minérios críticos, cooperação contra o crime organizado, big techs, bancos americanos e pressão sobre o Pix, enquanto o bolsonarismo poderia mirar adversários no STF e em setores do Estado.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/brasilianista-ve-risco-trump-caos-eleitoral-flavio-bolsonaro/

