Calor extremo expõe despreparo da Europa

Calor extremo na França. Foto: Divulgação

O calor extremo que atinge a Europa expôs o despreparo de países acostumados a planejar casas, cidades e políticas públicas para enfrentar o frio, não verões próximos de 40 graus. A onda atual colocou em xeque uma parte da rotina europeia construída ao longo de séculos em torno de temperaturas moderadas e invernos como principal ameaça ambiental.

Na Alemanha, a cultura arquitetônica priorizou por muito tempo a conservação de calor dentro das residências. Isolamento térmico, janelas pequenas, pouca climatização e cidades densas ajudam no inverno, mas dificultam a dissipação do calor quando as temperaturas disparam.

Durante décadas, energia na Europa significou sobretudo aquecimento, e políticas públicas buscaram proteger a população contra o frio. A pobreza climática costumava estar ligada à incapacidade de aquecer a casa no inverno, cenário que muda quando o risco mais imediato passa a incluir o excesso de calor.

A dimensão humana da crise apareceu nos dados recentes: a onda de calor foi associada a 1.300 mortes, e a França registrou mais de mil mortos na última semana, apontada como a mais severa já registrada na Europa. A ameaça cotidiana, antes concentrada nos meses frios, passou a ocupar também o verão.

Onda de calor em Viena, Áustria, 30 de junho de 2026. Foto: Divulgação

A adaptação da vida diária virou uma das questões mais urgentes. Em países acostumados a verões amenos, atividades mais cedo, pausa à tarde e retorno no início da noite não funcionam sempre da mesma forma, porque a temperatura pode continuar alta até o fim do dia.

Em muitos pontos da Europa, o auge do calor ocorre por volta das 17h, e o sol pode se pôr apenas perto das 22h. Nos últimos dias, escolas fecharam e alguns comércios deixaram de abrir diante das condições extremas, medida que interfere diretamente em famílias, trabalhadores e serviços urbanos.

A desigualdade também ganha uma nova camada com o avanço dos verões mais intensos. Ter ar-condicionado, morar em imóvel adaptado e conseguir pagar uma conta de energia mais alta passam a influenciar a capacidade de proteção contra temperaturas perigosas.

A União Europeia tenta manter a posição de liderança em política climática, mas enfrenta uma tensão prática entre proteger rapidamente a população vulnerável e reduzir emissões e consumo energético no longo prazo, especialmente quando a demanda por refrigeração cresce no continente que mais esquenta no mundo.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/calor-extremo-expoe-despreparo-da-europa-e-pressiona-rotina-criada-para-o-frio/