Campanha de Lula deve focar em três frentes para virar no 2º turno, diz Lavareda

O presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O cientista político Antonio Lavareda afirmou que o presidente Lula (PT), que ficou em segundo lugar, com 45,16% dos votos, no primeiro turno, precisa focar em três frentes para vencer na segunda etapa da disputa: recuperar os eleitores que se abstiveram, disputar votos dos candidatos eliminados e avançar sobre os que escolheram Flávio Bolsonaro (PL), que terminou com 47,03%.

Em entrevista ao Estadão, o cientista político apontou que Lula “tem que cumprir algumas tarefas”. “Tem que tentar recobrar um pouco o voto, a participação de eleitores dele que se abstiveram no primeiro turno. Sem sombra de dúvidas, é absolutamente legítimo supormos que a maior parte, a parte predominante dessa abstenção, é de eleitores de Lula”, afirmou.

Ele ainda disse que o petista precisa “resgatar” essa parcela de eleitores, “disputar o voto daquele contingente que apoiou outros candidatos” e “conquistar votos do próprio Flávio Bolsonaro”. “Pode parecer impossível. Mas Lula conseguiu fazer isso em 2006. Em 2006, no segundo turno, Geraldo Alckmin teve 2,5% dos votos válidos a menos no segundo turno. Então, são três tarefas e é a esse esforço que a campanha deve se endereçar. As chances não são as maiores, mas, de fato, também não se pode dizer que não existam”, prosseguiu.

Sobre a composição do Congresso Nacional, Lavareda avalia que a vitória “maciça” do PL já era esperada e estava “estampada em algumas pesquisas. Leia trechos da entrevista:

O resultado da eleição presidencial pegou o senhor de surpresa? Como avalia o que aconteceu no primeiro turno?

O que me surpreendeu menos foi o voto presidencial. Eu já imaginava e já tinha comentado dois, três, quatro dias antes da eleição, que não me surpreenderia. Eu dizia que a chance de Lula vir em primeiro lugar era de 60%, mas havia 40% de chance de Flávio aparecer em primeiro lugar.

Por quê? Porque a distância era muito estreita e a abstenção, supunha, iria comer parcela bastante razoável, substancial, dos votos do presidente Lula, tal como havia ocorrido em 2022. (…)

Já é possível identificar os principais erros de Lula para não conseguir impor a vantagem que geralmente um candidato à reeleição tem?

Há erros da campanha, mas erros do governo. O incumbente, quando perde a eleição, dificilmente é apenas por conta da comunicação da campanha. A comunicação do governo é mais importante até do que a comunicação da campanha, no caso do incumbente.

Minha experiência diz que o governo Lula deixou passar, desde 2024, incólume a percepção da maioria da opinião pública de que a economia do País seguia no rumo errado. Várias pesquisas detectaram isso. O governo Lula não enfrentou essa questão, não desenvolveu uma narrativa cogente, para dar conta dessa questão.

Quando chega a campanha eleitoral, uma parte importante da população que via o País indo na direção errada e, como tal, reclamando por mudança, foi atraída com relativa facilidade pelo discurso de mudança, de transformação, do candidato oposicionista. (…)

Esse resultado afasta bastante o presidente Lula da condição de favorito para o segundo turno de 2026. Essa campanha do segundo turno começa com o franco favorito, que é o senador Flávio Bolsonaro. (…)

O senhor disse que a diferença foi pequena, mas, historicamente, é difícil um candidato a presidente que sai atrás no primeiro turno virar a eleição. É possível Lula conseguir essa virada? O que ele precisa fazer nas três semanas de campanha?

Um candidato, um incumbente como Lula, que sai em segunda colocação, tem que cumprir algumas tarefas. Tem que tentar recobrar um pouco o voto, a participação de eleitores dele que se abstiveram no primeiro turno. Sem sombra de dúvidas, é absolutamente legítimo supormos que a maior parte, a parte predominante dessa abstenção, é de eleitores de Lula.

Lula, então, precisa resgatar parte desses eleitores. Precisa disputar o voto daquele contingente que apoiou outros candidatos. É muito difícil ele conseguir uma maioria, porque, obviamente, eram candidatos conservadores e, como tal, seus eleitores, na maior parte dos casos, também são conservadores.

E, terceiro, ele precisa mais. Ele precisa até conquistar votos do próprio Flávio Bolsonaro. É possível isso? Pode parecer impossível. Mas Lula conseguiu fazer isso em 2006. Em 2006, no segundo turno, Geraldo Alckmin teve 2,5% dos votos válidos a menos no segundo turno. Então, são três tarefas e é a esse esforço que a campanha deve se endereçar. As chances não são as maiores, mas, de fato, também não se pode dizer que não existam.

E, olhando para o Legislativo, como o senhor interpreta o avanço do PL no Senado e na Câmara?

A votação maciça do PL para o Senado, que aliás já estava mais ou menos estampada em algumas pesquisas, não com aquela intensidade, se deu por um alinhamento entre o voto nacional e o voto local, o voto do Senado. O PL entregou ao eleitor uma compreensão sobre o papel do Senado.

(…) O PL tornou inteligível o papel de um senador. Que papel era esse, de imediato? Era fazer uma limpeza no Supremo, “impeachar” ministros do Supremo. Então, a partir dos escândalos recentes envolvendo o nome do Supremo, essa onda levou à votação maciça de candidatos bolsonaristas para o Senado.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/campanha-de-lula-deve-focar-em-tres-frentes-para-virar-no-2o-turno-diz-lavareda/