Cármen Lúcia defende independência de juízes e relata ameaça durante palestra

A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia – Reprodução

A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, afirmou nesta quarta-feira (18), em palestra para universitários do CEUB, em Brasília, que os brasileiros precisam ter a garantia de serem julgados por magistrados competentes e isentos. Durante a fala, a ministra do STF declarou: “Deus me livre de ser julgada por um juiz que não seja independente, imparcial, ético e honesto”.

Cármen Lúcia é a relatora da proposta de código de ética do STF anunciada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, no início do ano. A ministra ficou responsável pela elaboração da minuta, que deverá ser debatida pelo tribunal. A criação do texto foi confirmada por Fachin na abertura do Ano Judiciário de 2026.

Na palestra, a presidente do TSE também defendeu maior presença feminina no Supremo. Ela disse que há mulheres “competentíssimas” que podem ocupar cadeiras no STF, no STJ e em outros espaços do Judiciário. Em seguida, afirmou que também quer “homens competentes” nesses postos e criticou a presença de pessoas sem independência para julgar.

Ao tratar da participação feminina na política, Cármen Lúcia disse que a violência política de gênero segue como obstáculo para as eleições de 2026. Segundo a ministra, as novas tecnologias têm ampliado discursos de ódio contra mulheres, o que afeta a presença feminina nas disputas eleitorais. Ela afirmou ainda que os ataques dirigidos a mulheres costumam ser “sexistas e desmoralizantes” e atingem também as famílias das candidatas.

Cármen Lúcia relatou ainda que foi informada, a caminho do evento, sobre um possível atentado contra ela. A ministra disse que recebeu a notícia de que “mandaram uma bomba” para matá-la, mas afirmou que não sabia se a informação procedia. Mesmo assim, manteve o tom de brincadeira diante dos estudantes e declarou que estava “vivíssima, cada dia mais”.

A ministra também afirmou que, desde o fim das eleições municipais de 2024, o maior volume de processos no TSE envolve fraudes à cota mínima de 30% destinada às candidaturas femininas. Segundo ela, há casos em que mulheres são procuradas por partidos apenas para emprestar o nome, sem estrutura real de campanha ou acesso ao financiamento.

Cármen Lúcia preside o tribunal desde junho de 2024, tendo sido eleita ao lado de Kassio Nunes Marques, que ocupa a vice-presidência; o TSE já confirmou a recondução de Nunes Marques como ministro titular da Corte para mais um biênio.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/carmen-lucia-defende-independencia-de-juizes-e-relata-ameaca-durante-palestra/