Os principais produtos exportados pelo Brasil ficaram fora da nova tarifa proposta pelo governo de Donald Trump contra países que, segundo Washington, não adotam medidas suficientes para impedir o uso de trabalho forçado em suas cadeias produtivas. A proposta prevê uma cobrança de até 12,5%, mas inclui uma ampla lista de exceções consideradas estratégicas para a economia americana.
Entre os produtos isentos estão carne bovina fresca e congelada, suco de laranja, frutas, café, chá e diversas especiarias, como canela, gengibre, pimenta e baunilha. Apesar de excluir a carne da taxação, o relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) acusa o Brasil de utilizar trabalho forçado na criação de gado.
A lista também preserva minerais considerados essenciais para a indústria e para a defesa dos Estados Unidos. Estão entre as exceções as terras-raras, das quais o Brasil possui a segunda maior reserva do mundo, além de cobre, níquel, cobalto, alumínio, urânio, carvão, petróleo bruto e derivados refinados, como combustíveis e querosene de aviação.
Produtos químicos industriais, fertilizantes, medicamentos e insumos farmacêuticos também foram excluídos da proposta. A medida contempla ainda semicondutores, circuitos integrados, telas LCD e OLED, computadores e outros componentes eletrônicos utilizados pela indústria tecnológica.

No setor aeronáutico, ficaram fora da tarifa motores, equipamentos de navegação, bombas, ventiladores e uma série de peças usadas na fabricação e manutenção de aeronaves. A exclusão beneficia diretamente a cadeia produtiva da aviação civil, um dos segmentos de maior valor agregado da pauta exportadora brasileira.
As exceções não foram elaboradas especificamente para o Brasil. Elas abrangem os 60 países alcançados pela investigação conduzida pelo governo norte-americano e têm como justificativa evitar problemas de abastecimento e impactos econômicos em setores dependentes desses produtos.
A proposta ainda não entrou em vigor. O governo dos Estados Unidos abriu um período de consulta pública para receber manifestações até 6 de julho. Audiências da Seção 301 estão previstas para começar em 7 de julho, e o texto poderá sofrer alterações antes de uma decisão definitiva.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/carne-suco-e-aeronave-os-produtos-brasileiros-fora-do-novo-tarifaco-de-trump/


