A combinação de sertralina e pregabalina, medicamentos que Jair Bolsonaro afirma usar, é considerada segura e amplamente prescrita para idosos, mas pode, em situações raras, provocar episódios de delírio, que na psiquiatra são entendidos como alteração da atenção, da cognição e do nível de consciência. Com informações da Folha de S.Paulo.
Durante a audiência de custódia neste domingo (23), na Superintendência da PF em Brasília, Bolsonaro disse ter tentado abrir a tornozeleira eletrônica na sexta (21) após uma “certa paranoia” atribuída ao uso dos remédios, afirmando que só “caiu na razão” à meia-noite.


A sertralina, um antidepressivo ISRS, é indicada para depressão, ansiedade, pânico, TEPT, fobia social e TOC. Já a pregabalina, anticonvulsivante de efeito ansiolítico, também é usada no tratamento de dor crônica.
Segundo o psiquiatra Ricardo Castilho, do IPq-HCFMUSP, a interação entre os dois fármacos pode levar, em alguns casos, à hiponatremia, queda de sódio no sangue capaz de causar confusão mental e, em casos severos, até coma. Ele ressalta que, antes de atribuir delírio aos remédios, é necessário descartar outras causas frequentes em idosos, como infecções, desidratação, alterações clínicas ou mudanças abruptas de dose – para mais ou para menos.
Para chegar no quadro que o ex-presidente destacou ter estado, o especialista disse que seria preciso saber se houve superdosagem ou se o paciente parou de tomá-los ou aumentou a dose por conta própria.
O psiquiatra Rodrigo Fonseca Martins Leite, também do Instituto de Psiquiatria da USP, reforçou ao veículo que a combinação é geralmente segura e raramente provoca alucinações como a relatada pelo ex-presidente. Para ele, o comportamento de Bolsonaro — usar um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira — exige organização cognitiva incompatível com quadros típicos de confusão mental relacionados à medicação. “É muito pouco provável que essa interação justifique esse tipo de ação”, afirmou.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/caso-raro-psiquiatras-dizem-que-remedios-nao-justificam-paranoia-de-bolsonaro/

