Túmulos abertos e sujeira: como estão os cemitérios privatizados em SP

Sepulturas em área com mato alto no Cemitério Vila Formosa, na zona leste de São Paulo. Foto: Karime Xavier/Folhapress

Cemitérios municipais concedidos à iniciativa privada em São Paulo acumulam mato alto, túmulos abertos, lixo, pisos danificados e banheiros sem condições básicas de uso, apesar das obrigações previstas nos contratos de concessão. As falhas dificultam a circulação e a localização de sepulturas por familiares e visitantes. Com informações de Folha de S.Paulo.

A Prefeitura de São Paulo concedeu em 2023 a gestão de 22 cemitérios e do Crematório Vila Alpina por 25 anos, até 2048. Consolare, Cortel, Grupo Maya e Velar assumiram os equipamentos e devem manter áreas comuns limpas, vias conservadas, placas legíveis, banheiros gratuitos higienizados e segurança patrimonial.

O Cemitério Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte e administrado pela Cortel, apresentou a situação mais crítica nas visitas realizadas em outubro e novembro. O mato encobria sepulturas, inclusive em jazigos particulares, enquanto o banheiro feminino tinha odor forte, três pias sem água e falta de sabão.

A contadora Adriana Moraes, de 58 anos, disse que comprou um jazigo no local após a morte da mãe, em 2022, atraída pela promessa de um cemitério-jardim. “Mas o que encontrei foi mato alto e sujeira”, afirmou. Ao buscar a exumação do pai, morto em agosto de 2023, ela relatou que precisará esperar até janeiro por vagas.

Concessionárias citam chuvas, obras e manutenção por etapas

A Cortel afirmou que regularizou o banheiro feminino da Vila Nova Cachoeirinha e programou a capina das quadras. A empresa atribuiu problemas em vias às chuvas e disse que as exumações seguem uma força-tarefa, com previsão de atendimento até janeiro de 2027 por causa do alto volume de pedidos. A SP Regula investiga a situação das exumações.

Mais um túmulo danificado no Cemitério Vila Formosa. Foto: Karime Xavier/Folhapress

No Vila Formosa, na zona leste, a Consolare encontrou mato alto, sacos de lixo e entulho na primeira visita. Na segunda, a vegetação havia sido cortada e o lixo retirado, mas ainda havia túmulos abertos, placas apagadas e publicidade de jazigos e planos funerários na entrada dos velórios. A empresa informou que reorganiza a zeladoria por quadras e reavaliará os materiais publicitários.

O complexo Vila Alpina também apresentou diferenças entre suas unidades. No Cemitério São Pedro, havia mato, sujeira nas vias, ausência de placas e banheiros químicos; no crematório, as instalações estavam limpas e os sanitários funcionavam. A Velar SP alegou que a área de 226 mil metros quadrados e as chuvas provocam defasagens pontuais e informou que prevê entregar seis salas de velório em novembro.

No Araçá, a Cortel encontrou jazigos abertos, trechos de concreto quebrados e resíduos de obras. No Consolação, sob gestão da Consolare, a sinalização insuficiente e a numeração confusa das quadras dificultavam localizar túmulos de personalidades como Tarsila do Amaral, Luiz Gama e Monteiro Lobato. Já o Campo Grande, administrado pelo Grupo Maya, estava limpo, organizado e com placas novas, embora houvesse flanelinhas no entorno e limo em alguns pontos.

A SP Regula declarou que a concessão ampliou o atendimento, incluindo enterros gratuitos para inscritos no CadÚnico, pessoas vulneráveis e doadores de órgãos. A agência afirmou que mantém fiscalizações e aplicou, desde outubro de 2024, 75 multas e advertências por falhas de manutenção e zeladoria.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/cemiterios-sao-paulo-concessao-mato-tumulos-banheiros/