Iván Cepeda, senador colombiano e candidato derrotado do Pacto Histórico, reafirmou que pretende recorrer à desobediência civil para se opor ao presidente eleito Abelardo de la Espriella, ultradireitista que venceu a eleição mais apertada da história recente da Colômbia.
Cepeda afirma que Espriella chega ao cargo sob questionamentos ligados à soberania nacional, especialmente pela dupla cidadania colombiana e norte-americana do presidente eleito. “Espriella já enfrenta graves obstáculos para ser um presidente que defenda nossa soberania nacional. E, por isso, afirmamos que vamos recorrer à desobediência civil”, disse o senador.
Na semana anterior, Cepeda cobrou que Espriella renunciasse à nacionalidade americana e esclarecesse se já trabalhou para agências de inteligência dos Estados Unidos. A suposta ligação com órgãos como DEA, FBI, Homeland Security ou CIA nunca foi comprovada.
Espriella derrotou Cepeda por quase 250 mil votos, depois de o candidato de esquerda reduzir no segundo turno uma diferença que havia sido de cerca de 600 mil votos na primeira rodada. Cepeda diz ter recebido 12,7 milhões de votos, resultado que, segundo ele, representa praticamente metade do eleitorado.

Cepeda acusa ingerência dos EUA e diz que reconheceu o resultado
O senador atribui parte da vitória do adversário a uma “interferência absolutamente direta” do governo dos Estados Unidos e ao apoio do presidente Donald Trump ao presidente eleito. Ao negar que estivesse falando em conspiração, Cepeda afirmou: “Peço que a senhora leia as declarações do presidente Trump. Ele diz: ‘Fui eu quem influenciou a eleição do candidato Espriella na Colômbia.’”
Cepeda também rejeita comparação com líderes que colocaram resultados eleitorais em dúvida sem apresentar provas. Ele lembra que concedeu entrevista coletiva em 24 de junho para aceitar o resultado: “Nós não colocamos em dúvida o resultado eleitoral. O que estamos colocando em dúvida é que o presidente da Colômbia pode ser um presidente que, em determinadas ocasiões, respeite a Constituição colombiana e, em outras, respeite a Constituição de outro país.”
Ao avaliar o governo de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia, Cepeda citou reforma agrária, políticas sociais e a saída de quatro milhões de pessoas da pobreza, com base em dados oficiais. Ele também reconheceu “graves casos de corrupção” no governo e apontou problemas de segurança ligados ao avanço do narcotráfico e da mineração ilegal de ouro em regiões controladas por grupos armados.
Sobre os próximos quatro anos, Cepeda disse que espera manter uma relação “democrática e construtiva” com o novo governo, condicionada ao respeito às reformas sociais, à soberania nacional e à proteção ambiental. O senador afirmou que percorrerá o país para fortalecer o movimento social e popular “seja qual for o cenário”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/cepeda-promete-desobediencia-civil-contra-espriella-apos-derrota-apertada-na-colombia/

