As exportações brasileiras de soja devem alcançar 102,2 milhões de toneladas entre janeiro e outubro de 2025, superando o recorde anual de 2023, quando o país embarcou 101,3 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) em relatório divulgado na última terça-feira (7).
O desempenho histórico ocorre em meio ao aumento das compras da China, que deixou de adquirir a oleaginosa dos Estados Unidos após a imposição de tarifas de 20% em abril, como retaliação às medidas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump.
Em 2024, quando a safra brasileira foi afetada por problemas climáticos, o volume exportado atingiu 97,3 milhões de toneladas. Neste ano, a produção nacional também atingiu um recorde, acima de 170 milhões de toneladas.
“A China continua sendo o principal destino e impulsiona os embarques brasileiros: em setembro, importou 6,5 milhões de toneladas, o que representa 93% do total, mantendo uma participação historicamente elevada”, destacou a Anec. Entre janeiro e outubro, a participação média da China nas exportações brasileiras chegou a 79,9%, acima da média de 74% registrada entre 2021 e 2024.
O crescimento das exportações brasileiras preocupa os agricultores de soja dos Estados Unidos. Segundo a American Farm Bureau Federation, entre junho e agosto, os EUA quase não venderam grãos para a China, enquanto o Brasil bateu recordes de exportação no mesmo período.


“É um sinal de como a América do Sul passou a dominar o mercado e a substituir os produtores norte-americanos”, afirmou a federação, que destacou a Argentina como concorrente relevante. A dependência chinesa reforça o papel estratégico do Brasil no fornecimento global da oleaginosa.
De acordo com o relatório mensal de embarques para outubro, a Anec projeta 7,12 milhões de toneladas de soja exportadas neste mês, quase 2,7 milhões a mais que em outubro de 2024. Para o acumulado de 2025, a estimativa é de 110 milhões de toneladas, considerando mais 8 milhões a serem exportadas entre novembro e dezembro.
No milho, os embarques projetados para outubro são de 6,0 milhões de toneladas, elevando o total anual até outubro para cerca de 30 milhões. Já as exportações de farelo de soja devem somar mais de 19 milhões de toneladas até o fim do mês, ligeiramente abaixo do volume de 2,46 milhões registrado em outubro do ano passado.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/china-troca-soja-dos-eua-pela-brasileira-e-setor-bate-recorde-apos-tarifaco/

