Com apoio de Trump, empresa dos EUA toma controle de mina de terras raras no Brasil

Mineração de terras raras em Goiás. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

A empresa estadunidense USA Rare Earth concluiu na quinta-feira (3) a aquisição do Grupo Serra Verde, responsável pela mina Pela Ema, em Minaçu, no norte de Goiás. O fechamento, registrado pela companhia na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, transfere à compradora o controle da única operação comercial de terras raras em atividade no Brasil.

O pagamento foi fixado em US$ 300 milhões em dinheiro e 126.849.307 novas ações da USA Rare Earth. Quando o acordo foi anunciado, em abril, o conjunto foi avaliado em cerca de US$ 2,8 bilhões, com base na cotação dos papéis da empresa em 17 de abril.

O negócio foi concluído após a USA Rare Earth levantar US$ 1,5 bilhão em uma estrutura apoiada pelo governo de Donald Trump. Desse total, US$ 750 milhões vieram do Departamento de Guerra dos Estados Unidos. O governo estadunidense também assumiu o compromisso de comprar ao menos US$ 300 milhões em produtos da Serra Verde ao longo de cinco anos.

Segundo a empresa, a Serra Verde é a única produtora em escala, fora da Ásia, dos quatro elementos magnéticos de terras raras: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Eles são usados na fabricação de ímãs superpotentes presentes em motores elétricos, celulares, computadores e equipamentos militares, como mísseis guiados, drones e caças. Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente escassos, mas sua extração e separação são difíceis, caras e podem causar danos ambientais.

Terras raras minerais críticos
Os terras raras são alguns dos minerais críticos que o governo Lula busca regulamentar. Foto: David Becker/Reuters

A operação em Goiás começou a produzir em janeiro de 2024. A USA Rare Earth projeta alcançar cerca de 4 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras até o fim de 2026 e, em uma segunda etapa, elevar a média para 6,4 mil toneladas. A mina brasileira será integrada aos ativos de processamento, metalização e fabricação de ímãs mantidos ou planejados pela companhia nos Estados Unidos, no Reino Unido e na França.

Em maio, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica abriu um procedimento para verificar se a aquisição e o contrato de fornecimento por 15 anos deveriam ter sido submetidos previamente ao órgão. O Cade ressaltou que a abertura da apuração não significava a existência de irregularidades. O comunicado sobre a conclusão do negócio e o documento enviado ao órgão regulador estadunidense não informam o resultado desse procedimento.

O fechamento ocorreu um dia depois de o Senado aprovar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, medida comemorada por Lula. O projeto, enviado à sanção nesta sexta-feira (4), prevê até R$ 7 bilhões para estimular a pesquisa, o beneficiamento e a transformação desses recursos em território nacional. A nova política ainda não estava em vigor quando a aquisição foi concluída.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/com-apoio-de-trump-empresa-dos-eua-toma-controle-de-mina-de-terras-raras-no-brasil/