O foco das investigações de corrupção, crime organizado e delitos de colarinho branco saiu do antigo grampo telefônico e passou para os celulares, especialmente para as mensagens trocadas em aplicativos. O tema foi tratado por José Roberto de Toledo no podcast A Hora, do UOL, apresentado com Thais Bilenky.
Segundo Toledo, a pergunta central hoje é como investigadores conseguem acessar aparelhos apreendidos quando o dono não fornece a senha. Ele afirma que autoridades passaram a depender de ferramentas capazes de explorar falhas de segurança, contornar barreiras de sistemas operacionais ou testar combinações de desbloqueio.
A ferramenta mais popular entre investigadores no Brasil e fora do país, de acordo com o jornalista, é a israelense Cellebrite. “Não é apenas um software: é um conjunto de ferramentas que se contrata a peso de ouro para conseguir quebrar as criptografias dos vários modelos de celular”, afirmou Toledo.
O tempo necessário para acessar os dados varia conforme as condições em que o aparelho é apreendido. Um celular desbloqueado tende a facilitar o trabalho; um aparelho bloqueado ou desligado pode exigir mais tempo e depender do modelo, do sistema operacional e das atualizações de segurança instaladas.

Toledo afirma que a dificuldade também muda de uma geração de aparelho para outra. Segundo ele, modelos mais antigos de iPhone seriam acessados com mais rapidez, enquanto versões mais recentes exigiriam esforço maior das empresas contratadas para esse tipo de serviço.
O jornalista também disse ter encontrado mais de R$ 100 milhões em contratos públicos firmados por órgãos brasileiros com a Cellebrite nos últimos anos. Entre os clientes citados estão Polícia Federal, Ministério da Justiça, Ministérios Públicos estaduais, Polícia Militar e Polícia Civil.
Na avaliação de Toledo, a mudança mostra que tecnologia e inteligência passaram a comandar investigações complexas. “O tempo do fuzil, da bala, da pistola, hoje em dia tá superado. Isso é o menos importante numa investigação”, disse.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-celulares-viraram-alvo-central-de-investigacoes-contra-crimes-bilionarios/

