Como Epstein usava bolsas de estudo para atrair e controlar jovens

O empresário Jeffrey Epstein. Foto: Divulgação

Uma investigação publicada pelo jornal britânico ‘The Guardian’ revelou que Jeffrey Epstein usava promessas de acesso à universidade como ferramenta para atrair, controlar e manter jovens mulheres sob sua influência. Segundo o relato, a oferta de bolsas de estudo fazia parte de um método estruturado de exploração sexual e dependência financeira.

De acordo com a reportagem, ele se apresentava como filantropo e oferecia pagar integralmente os estudos de jovens em instituições de prestígio. O objetivo era criar uma relação de controle. Em vários casos, o financiamento educacional era usado como moeda de troca para exigir favores, com ameaças explícitas de cortar a ajuda caso as contrapartidas fossem recusadas.

Uma das sobreviventes citadas é Rina Oh, que afirmou ter conhecido Epstein aos 21 anos. Ela relatou que o financista se ofereceu para custear seus estudos na Escola de Artes Visuais de Nova York, prometendo acesso a oportunidades profissionais e acadêmicas.

Segundo seu depoimento, o apoio financeiro vinha acompanhado de pressões constantes e expectativas implícitas. Epstein, segundo os relatos, não agia sozinho. Ele contava com o auxílio de Ghislaine Maxwell, que ajudava a ampliar a rede de jovens mulheres recrutadas. O padrão incluía o uso de bolsas, ajuda financeira e promessas de inserção em círculos acadêmicos e profissionais para manter as vítimas em situação de vulnerabilidade.

Universidades como a Universidade de Nova York e a Universidade Columbia foram citadas na reportagem como instituições onde bolsas e auxílios teriam sido utilizados nesse esquema. Para as sobreviventes, a associação entre educação e ajuda financeira era parte central da manipulação psicológica exercida por Epstein.

“Ele queria infiltrar a mente dos jovens, não apenas abusar fisicamente deles”, afirmou Rina Oh. Em outro trecho do depoimento, ela reforça a lógica de posse adotada pelo financista: “Ele queria colecionar essas pessoas para poder possuí-las. Ele tinha toda essa coisa de ser proprietário. Nada com Epstein veio de graça.”

Rina Oh. Foto: Divulgação

Documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que esse método começou a ser utilizado ainda na década de 1990. Segundo o jornal britânico, Epstein direcionava bolsas especialmente a jovens artistas e estudantes, o que demonstra a longevidade e o grau de organização do esquema de exploração.

Diante das revelações, o congressista Jamie Raskin, integrante do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA, enviou cartas a diversas universidades solicitando informações sobre eventuais vínculos com Epstein. Ele afirmou que o financista usava doações e promessas educacionais para sustentar e ocultar sua rede de abusos.

As instituições mencionadas informaram que estão analisando os pedidos e declararam apoio às investigações. A apuração também busca esclarecer o papel de pessoas próximas a Epstein, como seu advogado Darren Indyke e o contador Richard Kahn, responsáveis por administrar pagamentos e bolsas.

Após a morte dele, em 2019, vieram à tona conexões com outras instituições acadêmicas de prestígio, como Universidade Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Dirigentes dessas entidades mantiveram contato com ele mesmo depois da condenação de 2008 por crimes sexuais.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-epstein-usava-bolsas-de-estudo-para-atrair-e-controlar-jovens/