Não é e nunca foi

Lula, presidente do Brasil. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) afirmou, nesta quarta-feira (28), em reunião no Palácio do Planalto, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é antissemita e nunca teve postura hostil à comunidade judaica. A manifestação ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusar Lula de antissemitismo durante discurso em Israel. Com informações de Lauro Jardim, no Globo.

O encontro reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin e as ministras Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), e Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos e Cidadania com lideranças judaicas. Durante a conversa, o presidente da Conib, Cláudio Lottenberg, fez uma defesa explícita do histórico do petista em relação a Israel e ao combate ao antissemitismo.

“Sou testemunha da visita de Lula como primeiro presidente do Brasil a visitar Israel em 2010. (…) É preciso afirmar com muita clareza o presidente Lula não é nem nunca foi antissemita”, declarou Lottenberg aos representantes do governo federal.

Segundo interlocutores, a reunião teve como objetivo reduzir tensões políticas e reafirmar o posicionamento institucional da comunidade judaica brasileira diante das acusações feitas por Flávio Bolsonaro em um evento internacional que reuniu lideranças da direita em Israel. Lottenberg também ressaltou que defende a criação de um Estado palestino que possa coexistir pacificamente com o Estado de Israel.

As declarações da Conib contrastam diretamente com o discurso do senador Flávio Bolsonaro, que participou da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, realizada em Israel, ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-RJ). No evento, Flávio acusou o presidente brasileiro de promover uma política moralmente falida.

“Sob a gestão de Lula, a política brasileira está Brasil sofrendo uma profunda falha moral. Deixe-me ser muito claro, Lula é antissemita. Isso não é um slogan, não é exagero. Isso é baseado em suas ideias, em seus avisos, em suas palavras e ações”, afirmou o senador.

Horas depois da fala do parlamentar, Lula se manifestou nas redes sociais por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro. A publicação foi interpretada por aliados como uma resposta indireta às acusações feitas em Israel.

“Hoje – Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto – é preciso recordar os horrores que a humanidade é capaz de cometer contra o próprio ser humano. E lembrar que o autoritarismo, os discursos de ódio e o preconceito étnico e religioso foram as peças com as quais essa grande tragédia do século XX foi construída”, escreveu o presidente.

Na mesma mensagem, Lula lembrou que, em 2004, durante seu primeiro mandato, assinou uma petição encaminhada à Organização das Nações Unidas (ONU) que resultou na oficialização da data dedicada à memória das vítimas do Holocausto.

“Um dia de defesa dos Direitos Humanos, da convivência pacífica e das instituições democráticas, elementos fundamentais do mundo mais justo que queremos deixar para as próximas gerações”, afirmou.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/conib-defende-lula-apos-flavio-chama-lo-de-antissemita-nao-e-e-nunca-foi/