Conselheiro de Trump pode virar “persona non grata” no Brasil; entenda

A deputada federal Gleisi Hoffmann. Foto: Divulgação

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) apresentou dois projetos para responsabilizar o empresário Paolo Zampolli, enviado especial para parcerias globais do governo de Donald Trump, por suas declarações públicas ofensivas, misóginas e discriminatórias contra as mulheres brasileiras.

As iniciativas incluem um projeto de lei para declarar Zampolli persona non grata em todo o território nacional e um projeto de resolução para declará-lo persona non grata no âmbito da Câmara dos Deputados.

O projeto de lei propõe que o Poder Executivo tome medidas para impedir o ingresso e a permanência de Zampolli no Brasil, com base em princípios da soberania nacional e da dignidade da pessoa humana. Já o projeto de resolução visa manifestar o repúdio institucional da Câmara dos Deputados, recomendando ao Ministério das Relações Exteriores que adote as ações diplomáticas necessárias.

Para Gleisi, o Brasil deve responder com firmeza a qualquer agressão à sua soberania e ao seu povo. “As mulheres brasileiras não serão tratadas com desprezo por aliado de Trump, representante estrangeiro ou qualquer pessoa que ache que pode humilhar o Brasil impunemente”, afirmou a deputada. Ela enfatizou que relações diplomáticas exigem respeito e reciprocidade.

O empresário Paolo Zampolli. Foto: Divulgação

As declarações de Zampolli, foram feitas durante uma entrevista ao canal italiano RAI na quinta-feira (23).  Em resposta a uma pergunta sobre as acusações de sua ex-companheira, Amanda Ungaro, ele afirmou que “as mulheres brasileiras, mesmo as que estão aqui, são programadas para causar problemas”, disse.

A ex-companheira de Zampolli, Amanda Ungaro, o acusou de agressão física, psicológica e sexual. Ela relatou ter sido agredida fisicamente quando recusava relações sexuais, apresentando fotos de hematomas como evidência.

Zampolli negou as acusações, afirmando que ela tenta prejudicá-lo. Durante a entrevista, o empresário também associou o comportamento dos brasileiros ao consumo de telenovelas, dizendo: “Os brasileiros assistem a novelas e são todos um pouco assim. Você já ouviu dizer que as brasileiras enganam todo mundo, né?”

Além do projeto de lei, Gleisi Hoffmann justificou a medida afirmando que a liberdade de expressão não pode ser usada para justificar discursos discriminatórios ou misóginos, especialmente quando provenientes de representantes estrangeiros.

A proposta também ressalta que a presença de alguém que agride a dignidade das mulheres brasileiras é incompatível com os valores fundamentais do Brasil, como a igualdade, a não discriminação e o respeito ao povo brasileiro.

No projeto de lei, a deputada argumenta que a política migratória brasileira deve ser regida pelo repúdio à xenofobia, ao racismo e a todas as formas de discriminação. Além disso, reforça que a Lei de Migração permite ao Brasil tomar medidas contra qualquer conduta incompatível com a soberania nacional e a ordem pública.

“A expressão persona non grata simboliza a rejeição do Estado à presença de pessoa estrangeira que tenha praticado conduta ofensiva ou abusiva”, explicou Gleisi. “O Brasil não aceitará humilhações contra suas mulheres nem ataques discriminatórios vindos de agentes estrangeiros”, concluiu a deputada.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/conselheiro-de-trump-pode-virar-persona-non-grata-no-brasil-entenda/