Corinthians quer incluir perito de “Dark Horse” em conselho sobre dívida do estádio

Neo Química Arena, estádio do Corinthians. Foto: reprodução

O administrador de empresas Aníbal Castelo Branco, autor do parecer que atribui ao fundo abastecido por Daniel Vorcaro todo o dinheiro usado na produção de “Dark Horse”, reuniu-se com a diretoria do Corinthians na quarta-feira (2) para apresentar sua análise sobre a dívida da Neo Química Arena. O clube prometeu incluí-lo em uma comissão que examina o contrato com a Caixa Econômica Federal, o que lhe dará acesso a números e documentos protegidos por sigilo comercial.

Castelo Branco calculou que o débito do Corinthians em 2019 seria de aproximadamente R$ 280 milhões, embora a Caixa cobrasse R$ 536 milhões na Justiça e apontasse saldo devedor de R$ 423 milhões. Atualizado com juros, o valor estimado pelo administrador ficaria R$ 402 milhões abaixo da dívida atual, calculada em cerca de R$ 600 milhões.

O parecer também questiona a multa aplicada quando o clube interrompeu os pagamentos. “Além disso, quando o Corinthians deixou de pagar, a Caixa cobrou uma multa de 10% sobre o saldo devedor, de R$ 48 milhões, o que deu os R$ 536 milhões. Mas ela só deveria ter cobrado os 10% sobre o valor em atraso, o que daria R$ 3,7 milhões”, afirmou Castelo Branco.

A análise não inclui valores liberados, encargos, taxas, amortizações, pagamentos e incorporações posteriores aos documentos juntados ao processo de 2019. “Eu me dediquei a entender o que aconteceu até 2019. Tem diferença, então tudo que está para frente está contaminado”, disse.

O Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento administrativo após receber o documento, enquanto a Caixa negou irregularidades e afirmou que a contratação de 2013 e a renegociação de 2022 passaram por assessoramento técnico, jurídico e regras de governança do banco e do clube.

Atuação de Castelo Branco em casos ligados ao Banco Master

Jim Caviezel como Jair Bolsonaro em “Dark Horse”. Foto: reprodução

Castelo Branco apresenta-se como presidente do Instituto de Perícia Investigativa. Apesar do nome, o IPI está registrado como uma microempresa individual com capital social de R$ 10 mil e substituiu a denominação Centralizadora de Cálculos Judiciais e Extrajudiciais. Ele também assina como integrante do Conselho Regional de Administração e da Ordem dos Peritos Judiciais de São Paulo, entidade criada por ele.

A atuação de maior projeção de Castelo Branco ocorreu como interventor judicial da Associação Metropolitana de Gestão, organização de saúde cujos administradores a Justiça afastou em 2021 após uma operação da Polícia Federal. No site da antiga empresa, ele cita três trabalhos como perito, todos por indicação do advogado Ricardo Sayeg, que também representa o ex-presidente do Corinthians Augusto Melo.

Castelo Branco trabalha ainda para o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar, que aplicou R$ 87 milhões em letras de crédito do Banco Master sem garantias. A Polícia Federal investiga o investimento, e o administrador sustenta que órgãos de fiscalização e consultorias falharam na proteção do fundo. “No caso de Cajamar, estou procurando todos os elementos para justificar quem errou. O Banco Central já é certeza”, afirmou.

O escritório de Sayeg também contratou Castelo Branco como assistente da defesa da produtora GoUp no caso de “Dark Horse”. O parecer assinado por ele afirma que, até 10 de junho, o fundo Havengate Development LP havia transferido US$ 13,3 milhões, equivalentes a R$ 75 milhões, para o filme, mas não detalha o destino das remessas e descreve apenas de forma genérica as etapas da produção.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/corinthians-parecer-dark-horse-divida-arena-caixa/