Cotado a ministro de Flávio, Marcelo Kayath doou mais de R$ 500 mil a campanhas de Lula e do PT

Doação eleitoral de Marcelo Kayath para a campanha presidencial do PT em 2018 (crédito: TSE)

O engenheiro eletrônico com carreira no mercado financeiro Marcelo Kayath, cotado para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), doou R$ 200 mil para a campanha presidencial do PT nas eleições de 2018, que teve Luiz Inácio Lula da Silva como candidato, posteriormente substituído por Fernando Haddad.

Na mesma eleição, o agora candidato a novo “Posto Ipiranga” dos Bolsonaro fez ainda as seguintes doações para candidatos petistas a diferentes cargos em disputa em 2018, sempre por meio de transferências do diretório nacional do partido que têm Marcelo Kayath identificado como doador originário:

– R$ 150.000 para Rui Costa (PT), candidato ao governo da Bahia;

– R$ 150.000 para Jaques Wagner (PT), candidato ao Senado pela Bahia;

– R$ 49.950 para Emídio Pereira de Souza (PT), candidato a deputado estadual em São Paulo.

O senador reeleito Jaque Wagner (PT-BA) recebeu R$ 150 mil de Marcelo Kayath em 2018 (crédito: TSE)

Leia também: ::Cotado por Flávio à Fazenda apoiou Lula em 2022 e chamou Bolsonaro de “maluco”::

O PT não foi o único agraciado por Kayath naquela eleição. Quatro candidatos de outros partidos receberam, juntos, mais R$ 344 mil do conselheiro econômico de Flávio Bolsonaro. Nenhum deles apoiava Jair Bolsonaro. Veja a lista, abaixo:

– Fernando Filho (DEM) — candidato a deputado federal por Pernambuco: R$ 100.000;

– Marco Aurélio de Medeiros Lima (PRTB) — candidato a deputado estadual por Pernambuco: R$ 100.000;

– Otto Alencar Filho (PSD) — candidato a deputado federal pela Bahia: R$ 70.000;

– Diego Henrique Silva Cerqueira Martins (PSD) — candidato a deputado estadual pela Bahia: R$ 74.000.

Ao todo, então, Marcelo Kayath doou R$ 893.950 a campanhas eleitorais que se opunham ao bolsonarismo em 2018. Desse montante, R$ 549.950 foram para candidatos do PT, sendo R$ 200 mil ao então candidato Lula.

Todos esses dados são oficiais e constam na lista de divulgação de candidaturas e contas eleitorais de 2018, do TSE.

Apoio a Lula e críticas a Bolsonaro em 2002

Nas eleições de 2022, Kayath não distribuiu dinheiro a seus candidatos de preferência. Somente quem doou foi sua esposa, Manuela Larangeira Kayath. Novamente, não foi o campo bolsonarista quem ficou com os recursos, mas sim a então candidata a deputada federal por São Paulo Tábata Amaral, do PSB. A doação foi de R$ 5.000.

Embora não tenha ajudado financeiramente seus candidatos na eleição presidencial passada, o atual cotado para ministro de Flávio não deixou margem para dúvidas sobre quem estava apoiando e quem ele não queria ver (mais) na cadeira presidencial: Lula e Jair Bolsonaro, respectivamente.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, já em julho de 2021, Kayath criticou a condução da economia pelo então ministro Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” original. Disse que “a Faria Lima gosta de se iludir” e avaliou que o economista bolsonarista havia criado uma percepção de curto prazo que perdeu força diante da realidade econômica.

Na mesma entrevista, durante a pandemia de Covid-19, afirmou que os problemas estruturais do país continuariam sem solução naquela gestão. “Esse governo não tem mais tempo nem condições de dar respostas estruturantes”, declarou, projetando uma saída nas eleições, com um novo governo.

Em 2022, Kayath declarou voto em Lula e participou de encontros empresariais em apoio à candidatura do petista. Em declarações a órgãos de imprensa, afirmou que Bolsonaro oferecia mais riscos fiscais do que Lula e avaliou que o candidato do PT teria mais condições de promover um ajuste nas contas públicas.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/cotado-a-ministro-de-flavio-marcelo-kayath-doou-mais-de-r-500-mil-a-campanhas-de-lula-e-do-pt/