Pessimismo econômico aumenta insatisfação com Trump nos EUA

O presidente Donald Trump. Foto: Divulgação

O custo de vida e a falta de perspectivas econômicas ampliaram a insatisfação com Donald Trump em cidades operárias da Pensilvânia e de Ohio, regiões decisivas para suas vitórias eleitorais. Moradores ouvidos pelo Estadão relataram frustração com a inflação, os preços dos combustíveis e a ausência de empregos industriais prometidos pelo presidente.

Em Beaver Falls, na Pensilvânia, o líder sindical Tony Hall afirmou que antigos eleitores de Trump passaram a criticá-lo. “No meu trabalho todos eram trumpistas, mas agora só sobrou um. Trump está afetando literalmente todo mundo. Tudo que estou pagando agora está mais caro do que nunca e é revoltante”, disse.

Beaver Falls integra o condado de Beaver, área que se consolidou como reduto republicano após 2016. A cidade, com cerca de 9 mil habitantes, sofreu com o fechamento de usinas e fábricas entre as décadas de 1960 e 1980, processo que atingiu o chamado Cinturão da Ferrugem dos Estados Unidos.

Hall trabalha em uma fábrica de peças plásticas para os setores de aviação e saúde, que emprega aproximadamente 45 pessoas. Filho de um operário siderúrgico, ele afirmou que a atual condição financeira não corresponde aos anos de trabalho: “Eu deveria ter duas casas quitadas, com uma árvore no quintal e uma cerca, mas eu não tenho nada disso”.

Tony Hall em fábrica de plástico em Beaver Falls, Pensilvânia
O líder sindical Tony Hall trabalha em uma fábrica de plástico em Beaver Falls, na Pensilvânia. Foto: Reprodução

A situação também aparece em Braddock, município a cerca de 20 minutos de Pittsburgh. A cidade tinha 20 mil habitantes na década de 1920, durante o auge da produção siderúrgica local, e hoje reúne aproximadamente 2 mil moradores, com imóveis abandonados, comércios fechados e infraestrutura precária.

A usina Edgar Thomson Works, a única siderúrgica de Braddock, chegou a empregar quase 8 mil trabalhadores nos anos 1940 e atualmente mantém cerca de 650 postos. Desempregado após trabalhar como carteiro, o morador Eric Shae, de 33 anos, resumiu a realidade local: “Não tem ninguém aqui, todo mundo foi embora”.

A brasileira-americana Gisele Barreto Fetterman, criadora do projeto social Free Store 15104 e esposa do senador democrata John Fetterman, distribui alimentos, roupas e livros gratuitamente na cidade. Ela disse que Braddock não possui supermercado de grande porte nem hospital, o que obriga parte da população a buscar serviços fora do município.

Antes das eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, a preocupação econômica alcança até republicanos. Em Pataskala, Ohio, o chefe de cozinha Brandyin Bernard afirmou que votou em Trump três vezes, mas se arrependeu: “Eu não teria votado nele se soubesse o que ele ia fazer”. Ele também criticou a alta dos preços e disse que o presidente “gosta de falar muito, mas não tem nada para mostrar de resultado”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/custo-de-vida-desgasta-trump-redutos-operarios-eua/