“Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, foi rodado no Brasil pela Go Up Entertainment sem cumprir obrigações legais exigidas pela Ancine, segundo reportagem de Cecília Olliveira, no Intercept Brasil. A produção não teria apresentado registro, contratos, comprovação de vistos de trabalho para elenco estrangeiro nem documentação trabalhista ligada à equipe brasileira. Ou seja, totalmente dentro da ilegalidade.
A apuração aponta que a Ancine confirmou, em dezembro de 2025, que a Go Up jamais protocolou documentação sobre o projeto em seus sistemas. Pela regra da agência, produções estrangeiras filmadas no Brasil precisam ser comunicadas previamente e realizadas sob responsabilidade de uma produtora brasileira registrada.
Além disso, a produtora deveria ter enviado contrato com a empresa estrangeira, tradução do documento, plano provisório de filmagem e cópias dos passaportes dos profissionais estrangeiros envolvidos. Só depois dessa etapa a Ancine emite o ofício usado para concessão dos vistos de trabalho adequados. Ao ponto que nada disso aconteceu com “Dark Horse”.
A Ancine informou que não houve comunicação ou autorização para o filme. Também não houve pedido de registro para lançamento comercial no Brasil. Por isso, a Ancine disse não ter informações sobre produção, financiamento ou detalhes técnicos da obra.

A reportagem também cita denúncia do Sindcine sobre contratações sem formalização adequada e pagamentos fora dos parâmetros mínimos de regularidade. O sindicato protocolou pedido de providências em janeiro deste ano após receber relatos de técnicos brasileiros que teriam trabalhado sem garantias contratuais.
Os relatos contrastam com a versão de Mário Frias e Flávio Bolsonaro, que venderam “Dark Horse” como uma produção “em padrão hollywoodiano”. Pessoas ouvidas pelo Intercept descreveram precariedade no set, pagamentos abaixo do mercado, constrangimento entre profissionais e até calote de R$ 5 mil em um café usado como locação.
A precariedade levantou novas dúvidas sobre o destino dos cerca de R$ 61 milhões enviados por Daniel Vorcaro ao projeto. Investigadores apuram se os valores foram de fato usados no filme ou se a produção serviu como justificativa para transferências aos Estados Unidos, onde Eduardo Bolsonaro vive desde 2025.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/dark-horse-foi-filmado-sem-autorizacao-da-ancine-e-teve-set-precario/

