“Dark Horse”: produtora comprou peruca de R$ 10 mil para ator ficar igual Bolsonaro

Jim Caviezel caracterizado como Jair Bolsonaro em cena de “Dark Horse”. Foto: Reprodução

A Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, pagou R$ 10 mil pelo aluguel de uma peruca usada por Jim Caviezel, intérprete do ex-presidente. Documentos enviados à Polícia Federal também apontam ao menos R$ 700 mil em hospedagem do ator, de seu agente e de seguranças no hotel Unique, em São Paulo.

Segundo informações da Folha, os comprovantes bancários e notas fiscais integram a documentação entregue pela defesa da empresa e por sua representante legal, Karina Ferreira da Gama, no inquérito que apura o financiamento do longa no caso Banco Master. O ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo da investigação na sexta-feira (11).

A Go Up fez a transferência de R$ 10 mil em 5 de dezembro de 2025, com a descrição “Locação Peruca Jim”. A produção também desembolsou R$ 3 mil pelo aluguel de apliques destinados à personagem de Michelle Bolsonaro, interpretada pela atriz Camille Guaty.

Seis notas fiscais do Unique somam R$ 663.165,50 e citam James Patrick Caviezel, nome completo do ator, seu agente Nathon Lewis e Richard Dobrich. Outras duas notas, de R$ 68.835,60, tratam da hospedagem de Keith Billiot, identificado como segurança de Caviezel.

Mário Frias, Flávio Bolsonaro e Jim Caviezel. Foto: reprodução

Documentos registram pagamento de R$ 298 mil por hospedagem, gorjetas e massagens

A documentação registra ainda uma transferência de R$ 298.350,49 ao hotel em 30 de dezembro de 2025, descrita como “Hospedagem + gorjetas e massagens Jim”. Não há nota fiscal correspondente ao pagamento nem detalhamento dos valores destinados a cada serviço.

Os documentos não esclarecem se os R$ 298 mil se relacionam às notas fiscais de hospedagem já apresentadas. Separadamente, uma fatura indica R$ 54.332,46 pela passagem de Caviezel, entre tarifa, taxa de embarque e extras, para o período de 1º de novembro a 8 de dezembro de 2025.

A produtora ainda gastou R$ 2.045 em serviços de manicure para as atrizes Lynn Collins e Camille Guaty: R$ 995 para Collins e R$ 1.050 para Guaty. Um contrato prevê mais R$ 5.500 por uma peruca para dublê e um kit de dreadlocks para outra personagem, sem separar o preço de cada item.

A PF pediu à Go Up documentos sobre a origem dos recursos, contratos com profissionais estrangeiros, despesas com fornecedores, transporte, locações e hospedagem. Michael Davis, que se apresenta como sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC nos Estados Unidos, respondeu que não autorizaria o envio de documentos mantidos no país sem ordem de um juiz americano.

Dirigido por Cyrus Nowrasteh, “Dark Horse” retrata a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018 e a facada em Juiz de Fora (MG). Em junho, a defesa da produtora afirmou que o longa recebeu recursos privados; um laudo contratado pelos advogados estimou o custo da obra em US$ 13,4 milhões e disse não ter identificado dinheiro público nos documentos submetidos à análise.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/dark-horse-peruca-jim-caviezel-hotel/