A Polícia Federal investiga a suspeita de que R$ 750 mil transferidos à Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tenham origem em recursos públicos de emendas parlamentares do deputado Mário Frias (PL-SP). O inquérito levou à Operação Make Up, deflagrada nesta quinta (10) com autorização do ministro Flávio Dino, do STF.
A apuração examinou movimentações financeiras do Instituto Conhecer Brasil, organização presidida por Karina Gama, que também é dona da Go Up. Duas empresas receberam R$ 700 mil do instituto entre fevereiro e março de 2025; entre novembro e dezembro daquele ano, a NTT Brasil, pertencente ao mesmo grupo, repassou R$ 750 mil à produtora.
No pedido que embasou a decisão de Dino, a PF afirma que os elementos disponíveis “não permitem afirmar” que os R$ 750 mil tenham “origem direta” nos valores recebidos pelo instituto. Os investigadores, porém, destacaram a coincidência dos montantes e das datas das transferências.
Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato à Presidência, alegou anteriormente que o filme não utilizou recursos públicos. Filho do ex-presidente, ele não é investigado neste inquérito, mas figura em outra apuração sobre “Dark Horse”, sob relatoria do ministro André Mendonça.
PF aponta despesas da produtora durante as filmagens

A decisão judicial registra que a Go Up pagou R$ 906,7 mil a um hotel e R$ 653 mil a uma empresa de alimentação durante as filmagens, realizadas entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. A PF relacionou essas despesas ao período em que a produtora recebeu os recursos.
Os investigadores afirmaram que chama atenção a coincidência entre a gravação do longa e as movimentações financeiras, além da natureza dos gastos com hotel de alto padrão, refeições e produtoras. “Dark Horse” trata da trajetória política de Bolsonaro e tem Mário Frias como produtor executivo.
Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também embasaram a operação. Um dos documentos indica que Frias enviou R$ 645,4 mil à Go Up em menos de 60 dias, cifra que a PF considerou incompatível com os rendimentos mensais de um deputado federal, estimados em cerca de R$ 44 mil.
A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A PF apura a atuação de uma suposta organização criminosa que teria direcionado verbas de emendas a empresas subcontratadas sem comprovação dos serviços; as tentativas de dissimular os desvios teriam continuado até julho deste ano.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/dark-horse-pf-suspeita-de-desvio-de-r-750-mil-e-uso-de-emendas-de-mario-frias/

