Datafolha: Mais de 1/3 quer Moraes e Mendonça temporariamente afastados do STF

Os ministros do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça e Alexandre de Moraes. Foto: Antonio Augusto/STF

Mais de um terço dos eleitores brasileiros defende o afastamento temporário tanto de André Mendonça quanto de Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12). O afastamento de Mendonça é apoiado por 37% dos entrevistados, enquanto 34% defendem a mesma medida contra Moraes. Os números aparecem em levantamento realizado em meio à crise aberta na Corte pelas investigações do Banco Master.

As opiniões sobre medidas mais duras, porém, diferem entre os dois ministros. Para 28%, Moraes deveria sofrer processo de impeachment, enquanto 13% defendem sua renúncia. No caso de Mendonça, 12% apoiam impeachment e 11% querem que ele renuncie. Já 25% afirmam que Mendonça não fez nada ilegal. Os dados mostram que o apoio ao afastamento temporário é semelhante, mas a disposição para uma eventual destituição é maior no caso de Moraes.

O instituto ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades entre terça (8) e quinta-feira (10). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela TV Globo e está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-01833/2026.

Datafolha
Foto: Arte/DCM

Outro conjunto de respostas do mesmo levantamento reforça o desgaste do tribunal sem apontar rejeição à sua existência. 76% dos entrevistados dizem que os ministros do STF têm poder excessivo, mas 71% consideram a Corte essencial para a democracia. Outros 77% afirmam que a população acredita menos no tribunal hoje do que no passado.

A crise começou a escalar depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal produzido por sua determinação e que reunia informações sobre contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Entre os elementos revelados estavam mensagens em que Vorcaro perguntava a Moraes sobre a conveniência de deixar o país diante do risco de prisão; não há registro, no material divulgado, da resposta do ministro. Em meio ao confronto, Edson Fachin passou a conduzir os procedimentos que colocam Moraes e Mendonça em lados opostos.

Moraes passou a questionar a legalidade das diligências determinadas pelo colega e posteriormente acusou Mendonça de direcionar o caso Master para favorecer um “determinado grupo político”. Mendonça rejeita a acusação. O conflito ainda incluiu a ordem de Mendonça para afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, além da disputa sobre o acesso aos documentos apreendidos na investigação.

O quadro sugere desgaste dos personagens e da imagem da Corte, mas não uma rejeição majoritária ao papel institucional do STF.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/datafolha-mais-de-1-3-quer-moraes-e-mendonca-temporariamente-afastados-do-stf/