O delegado Daniel Trindade, eleito deputado federal pelo PL de Roraima com 16 mil votos, assumirá uma cadeira na Câmara em fevereiro apesar de responder a acusações de tortura de presos, promoção de rinhas em carceragem e improbidade administrativa. Ele nega todas as acusações e afirma que nunca recebeu condenação criminal.
Durante a campanha eleitoral, a Polícia Federal prendeu Trindade sob suspeita de compra de votos, em uma investigação que também apurava o suposto treinamento de uma milícia privada formada por indígenas para atuar em uma área de garimpo ilegal na Raposa Serra do Sol. Ele pagou fiança de R$ 10 mil e foi solto.
Em nota assinada com seu advogado, o futuro deputado afirmou que as acusações surgiram em meio a disputas políticas no Amazonas e em Roraima. “Ao longo de mais de uma década, meu nome foi associado a acusações, investigações e procedimentos judiciais que receberam ampla exposição pública”, disse.
As acusações sobre maus-tratos remontam a 2015, quando Trindade atuava em Juruá, no Amazonas. O Ministério Público aponta que ao menos 11 adultos e três adolescentes sob custódia policial sofreram agressões com um bastão; o processo ainda não teve julgamento em primeira instância, após atrasos provocados por recursos e dificuldades para ouvir testemunhas.
Denúncia descreve lutas entre detentos e cobrança de ingresso

O Ministério Público também acusou Trindade de obrigar presos a participarem de “lutas extremamente violentas no interior da carceragem”. As disputas teriam sido transmitidas nas redes sociais, enquanto pessoas pagavam para assisti-las presencialmente. Um mototaxista relatou ter desembolsado R$ 4 para acompanhar uma das lutas com a mulher e os filhos.
Trindade foi demitido do cargo de delegado em 2017, mas a Justiça anulou a punição ao entender que ele não poderia responder administrativamente por atribuições ligadas à custódia de detentos. A Polícia Civil do Amazonas informou que elaborou uma nova portaria para desligá-lo após reprovação no estágio probatório, ainda pendente de publicação; ele classificou a medida como juridicamente inconsistente.
Em outra ação, o Ministério Público o acusou de obrigar presos e um adolescente a construir uma academia ligada ao sogro dele, sem pagamento. Trindade alegou que não houve exploração ilegal e sustentou que o processo prescreveu. Uma denúncia separada por estupro de vulnerável foi arquivada por falta de provas.
A campanha de Trindade declarou R$ 800 mil recebidos do diretório nacional do PL como única fonte de recursos. Desde a eleição, em 4 de outubro, ele se reuniu em Brasília com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e com o líder da bancada na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ); Jair Bolsonaro (PL) também gravou um vídeo para sua candidatura à Prefeitura de Cantá (RR), em 2024.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/deputado-bolsonarista-acusado-de-torturar-presos-e-eleito-pelo-pl/

