Não é a esquerda que está dizendo. O que leremos abaixo é o resumo apresentado pela Folha para artigo publicado por Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia em 2001, Laura Carvalho, professora da Faculdade de Economia da USP, e Martin Guzman, professor da Universidade Columbia.
“O experimento econômico de Javier Milei, assentado em corte de gastos, corrosão de aposentadorias e salários pela inflação e alto endividamento externo, fracassou e nem sequer é replicável no Brasil, sustentam os autores, ao contrário da ideia de modelo para o país defendida pelo campo bolsonarista”.
Os três economistas refletem sobre a possibilidade de adoção do plano destrutivo de Milei por Flávio Bolsonaro, como vem sendo anunciado por setores não só do fascismo, mas da velha direita liberal brasileira.
A resposta é não, não há como fazer a mesma coisa. Porque as realidades são diferentes e porque os resultados são desastrosos. O artigo lembra que o arrocho de Milei, que provocou recessão e quebra de empresas, foi alcançado principalmente por meio do corte de gastos com infraestrutura, ciência e universidades públicas e da corrosão, pela inflação, do valor real das aposentadorias e dos salários do setor público.
“O governo também reduziu os impostos dos mais ricos e ofereceu benefícios fiscais generosos a grandes investimentos, sobretudo no setor de commodities”, escrevem os autores do artigo. O desastre inclui até mesmo a volta da inflação, a queda do consumo, o aumento da pobreza e a fome, especialmente entre idosos e crianças.

Os economistas fazem uma lista de danos. Os salários reais caíram quase 8% desde que ele assumiu o cargo, enquanto o desemprego subiu de 5,7% para 7,9%. A informalidade aumentou à medida que trabalhadores desempregados assumiram postos de baixa remuneração no setor de serviços.
“A queda da renda real tem deixado um número cada vez maior de famílias com dificuldade para pagar as dívidas. A inadimplência atingiu níveis recordes: 12,8% dos empréstimos bancários às famílias estão em atraso, ante 4,5% um ano antes. Isso equivale a 6 milhões de argentinos – mais de um quarto de todos os tomadores de crédito – e expressa, de longe, o maior nível de aperto financeiro das famílias desde que o Banco Central começou a compilar esses dados”.
As conclusões não contêm novidades: “O experimento de Milei fracassou. O seu único êxito parcial, a redução da inflação, teve um custo enorme: o sistema produtivo argentino está mais pobre, os trabalhadores têm menos oportunidades e o setor público, ainda mais endividado com o FMI do que quando Milei assumiu o cargo, depende perigosamente de apoio externo para sustentar o peso”.
Este é o trecho final do artigo, que destaca o fato de que o Brasil tem reservas internacionais e não deve ao FMI, ao contrário da situação argentina:
“A eleição presidencial brasileira opõe dois futuros econômicos muito diferentes. Um busca uma economia mais desenvolvida, com uma base produtiva mais diversificada, inovadora e rica. O outro aponta para uma dependência maior de commodities, um mercado interno em retração e a condição de Estado cliente dos EUA. O que está em jogo no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro não é só a democracia brasileira, mas também a prosperidade econômica que o país tanto trabalhou para conquistar”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/desastre-economico-social-milei-argentina-moises-mendes/


