Douglas Ruas, investigado por organização criminosa, vence no Rio após retotalização

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, investigado por fraude, o candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL), investigado por corrupção, e o governador eleito do Rio de Janeiro Douglas Ruas (PL), investigado por organização criminosa. Foto; Gabriela Biló/Folhapress

Douglas Ruas (PL), investigado por peculato e lavagem de dinheiro, teve sua vitória para o governo do Rio de Janeiro confirmada neste sábado (10), após a retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). O presidente da Assembleia Legislativa do estado (Alerj) e ex-secretário das Cidades de Cláudio Castro (PL) alcançou 50,88% dos votos válidos, encerrando a disputa no primeiro turno. O bolsonarista também é alvo de apuração por suspeitas de crimes em licitações e organização criminosa. Com informações do g1.

Ruas ultrapassou a maioria absoluta sem receber votos adicionais. Seus 4.271.199 votos passaram de 49,27% para 50,88% depois da exclusão dos 274.411 votos de Anthony Garotinho (Republicanos), cujo registro de candidatura foi indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Eduardo Paes (PSD), segundo colocado, desistiu de recorrer para tentar assegurar um segundo turno.

A investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro examina o crescimento patrimonial de empresas ligadas ao deputado, entre elas a Saur Construção, Terraplanagem e Locação e a DM Invest Consultoria e Participações. Segundo os investigadores, a expansão coincidiu com a ascensão política de Ruas e de seu pai, Capitão Nelson (PL), prefeito de São Gonçalo. A Saur, registrada em nome dos dois, movimentou mais de R$ 12 milhões em imóveis entre 2023 e 2025. O procedimento corre sob sigilo. Ruas nega irregularidades e sustenta que outro procedimento sobre os mesmos fatos foi arquivado.

A apuração também considera uma auditoria de contratos da Secretaria das Cidades, comandada por Ruas entre setembro de 2023 e março de 2026, no governo Castro. A revisão identificou R$ 702 milhões em contratos com consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia. Em um deles, houve subcontratação da Mineração Santa Edwiges, ligada à família do deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL. O MP aponta vínculos entre as famílias de Côrtes e Ruas. O governador eleito classificou as acusações como “mentiras e ataques da velha política” à sua candidatura.

TSE TRE-RJ
Foto: Arte/DCM

Os negócios familiares também alcançam um empreendimento imobiliário estimado em R$ 58 milhões em São Gonçalo. A Mical Invest, empresa de Mariana Barbosa, mulher de Ruas, participa do condomínio Águas da Mata, com previsão de 620 apartamentos e derrubada de 659 árvores. A licença foi concedida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente na gestão do sogro, Capitão Nelson. Mariana comprou os terrenos por R$ 750 mil em janeiro de 2026 e vendeu a área consolidada por R$ 235 mil, em junho, à empresa criada para executar o projeto, da qual a Mical é sócia. A companhia afirma atuar como permutante, com a construção a cargo da Up Inc.; Ruas declarou que as operações foram regulares e transparentes.

Castro, antigo chefe e aliado político de Ruas, foi alvo de buscas da Polícia Federal no caso Master em maio. Uma decisão tornada pública na investigação citou indícios de tratativas ilícitas que viabilizaram R$ 3,69 bilhões em investimentos no banco, somando fundos e letras financeiras. A PF atribuiu ao ex-governador papel político na captação de recursos do Rioprevidência, destinado às aposentadorias e pensões dos servidores estaduais. Os investigadores também identificaram uma degustação de uísque em Nova York custeada por Daniel Vorcaro em 14 de maio de 2024 e no dia seguinte, o fundo aplicou R$ 80 milhões no Master. O governo Castro ignorou alertas sobre os riscos dos investimentos. A defesa do ex-governador nega favorecimento ao banco e relações pessoais indevidas com Vorcaro.

Apoiado pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ruas procurou se afastar do desgaste de Castro durante a campanha, afirmando que seu projeto não seria uma continuidade do governo anterior. Na segurança pública, porém, defendeu o bombardeio de embarcações ligadas ao tráfico em alto-mar, ao ser questionado sobre a proposta de Flávio Bolsonaro de recorrer aos Estados Unidos. Também classificou como “totalmente legítima” a Operação Contenção, realizada no governo Castro nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 122 mortos em outubro de 2025.

A retotalização confirmou o percentual suficiente para a vitória, mas a proclamação formal do resultado pelo plenário do TRE-RJ está marcada para 15 de outubro, às 15h. Até essa decisão, os preparativos e a propaganda eleitoral do segundo turno para governador permanecem suspensos.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/douglas-ruas-investigado-por-organizacao-criminosa-vence-no-rio-apos-retotalizacao/