Escola de SP tomada por ratos tem uma privada para 123 alunos e banheiros sem papel ou sabonete

A Escola Estadual Orestes Guimarães, localizada no bairro do Canindé, na região central da capital paulista, ganhou triste notoriedade no mês passado, após pais e alunos denunciarem e enviarem vídeos a orgãos de imprensa mostrando ao que são submetidos os estudantes: uma infestação de ratos que entram e saem das salas de aula e um serviço de merenda escolar em que larvas são servidas junto com a comida

A situação chegou a tal ponto que os alunos criaram uma conta nas redes sociais apenas para registrar as denúncias e imagens de roedores e vermes que infestam o local.

Alunos de escola estadual no centro de SP denunciam más condições de higiene e infestação de ratos nas salas de aula (crédito: reprodução)

Desde o início das denúncias, os estudantes passaram a receber a solidariedade da população. As imagens de ratos passeando pelas dependências da escola pública foram parar no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo, enquanto parlamentares da oposição pediam que o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) revertesse a situação insalubre a que são submetidos os estudantes. 

Realidade de escola pública infestada por ratos é denunciada na Assembleia Legislativa de SP; nos comentários das postagens, mais denúncias de outras escolas que convivem com os roedores (crédito: reprodução)

Até agora, porém, nada mudou. A reportagem visitou a Escola Estadual Orestes Guimarães duas semanas após o caso ganhar as páginas da imprensa, conversou com os alunos e constatou que, além de nada ter sido feito até agora para encerrar a infestação e melhorar as condições de higiene do refeitório, os roedores e os vermes não são as únicas marcas do abandono que recai sobre a escola.

Um vaso sanitário para cada 123,6 alunos

A Orestes Guimarães possui, de acordo com a Secretaria Estadual de Educação, 1.483 estudantes matriculados. Na escola, há apenas dois banheiros – um masculino e outro feminino – para atender todo o corpo discente e os funcionários, além de uma cabine individual para alunos cadeirantes. 

O banheiro feminino possui seis cabines individuais com vasos sanitários. Já o masculino tem sete, mas em uma delas não há vaso sanitário, apenas um buraco no chão. Das seis restantes, apenas uma contém um vaso com tampa e assento instalados. Isso representa uma média de 123,6 alunos para cada vaso sanitário instalado. Não havia sabonete nem papel higiênico quando a reportagem visitou o local. Veja o vídeo abaixo.

Instaladas por toda a escola, estão 92 câmeras de monitoramento para vigiar possíveis atos de vandalismo dos alunos. Já na quadra de basquete, não há aro instalado em uma das tabelas. Nas pias ao lado da quadra, não existem torneiras nem fornecimento de água para os alunos se refrescarem.

Há goteiras nos tetos, muito lixo, entulho e materiais de construção espalhados no espaço esportivo e nas áreas de convívio e alimentação dos estudantes. 

Já nos corredores que dão acesso às salas de aula (onde há centenas de livros e material didático empilhados que sequer foram retirados dos plásticos das embalagens), uma obra que já dura mais de um mês faz com que a maior parte do chão esteja sem pisos de revestimento, apenas cimento cru e poeira. Veja os vídeos abaixo.

 

Alunos se revoltam e pedem ajuda para sua escola

Os estudantes ouvidos pela reportagem estão revoltados e pedem ajuda. Eles reclamam da poeira constante nas salas de aula. Alguns dizem que deixaram de fazer esportes por conta das obras. Outros contam que deixaram de no refeitório, por conta das larvas. 

“Os ratos passam em todos os lugares, saem do meio do mato, no pátio, e entram pelos corredores da escola. É normal, é costume, a gente sempre vê isso”, relata Laura M., de 15 anos, estudante do primeiro ano do ensino médio. 

Sua colega, Ana Carolina T., de 16 anos, completa: “Eles (os ratos) chegam a entrar dentro da sala. E, nos pátios, às vezes ficam ratos e pombos mortos. Fica um cheiro horrível. Sem contar o banheiro, que é imundo”. Assista ao vídeo abaixo.


Os alunos mais novos, do ensino fundamental, também se constrangem com os animais e o ambiente insalubre. Um grupo de quatro alunas de seis a sete anos, ao identificar a equipe de reportagem no pátio da escola, foi ao encontro do repórter, para narrar as vezes em que já viram ratos e larvas e reclamar das condições do banheiro. 

Como se pode ver no vídeo abaixo, as meninas contam de seus encontros com roedores quando estavam a caminho da sala da diretoria e das vezes em que os animais apareceram na quadra enquanto faziam aula de educação física ou estavam brincando no recreio.

 

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/escola-de-sp-tomada-por-ratos-tem-uma-privada-para-123-alunos-e-banheiros-sem-papel-ou-sabonete/