A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, afirma receber ao menos três ameaças de morte por dia desde 4 de outubro, quando conquistou mais de 524 mil votos em Minas Gerais. Ela também relatou ameaças de estupro e ataques racistas depois da eleição.
Em entrevista à revista Marie Claire, Ana Elisa disse que passou a circular com escolta 24 horas por dia desde o primeiro turno. A jovem petista se tornou a parlamentar mais votada da história de Minas Gerais e a deputada federal eleita mais jovem pelo PT.
“Desde 4 de outubro, recebo pelo menos três ameaças de morte por dia, além de ameaças de estupro, ataques racistas e outras formas de violência. Desde que fui eleita, ando com escolta 24 horas por dia”, contou.
“Eu já tinha consciência de que, se fosse eleita, as ameaças aumentariam muito. E foi exatamente o que aconteceu”, prosseguiu. As mensagens chegam principalmente pelas redes sociais e por e-mail.
A deputada eleita explicou que uma parte dos ataques não chega diretamente a ela. “Existem dois tipos de ameaça. Aquelas que mencionei, que chegam a cerca de três por dia, não são ameaças com as quais tenho contato direto: são identificadas e monitoradas a partir do meu Instagram”, disse.

Ataques racistas e ausência no discurso de Lula
Ana Elisa atribui os ataques sobretudo ao racismo. Para ela, sua condição de mulher jovem também provoca resistência, mas a cor da pele pesa mais na forma como setores da sociedade reagem à sua presença na política.
“Quando falamos de uma candidatura negra, a possibilidade de resistência social é muito concreta”, declarou. Ela acrescentou que, na percepção de quem a ataca, a raça se sobrepõe até mesmo ao gênero: “Minha raça vem antes do meu gênero na forma como sou percebida”.
As ameaças impediram que a deputada eleita estivesse ao lado do presidente Lula (PT) no discurso da vitória, realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, no dia 25. Ela participou da campanha de Lula nas redes sociais durante o segundo turno.
Nascida em Divinópolis, Ana Elisa é filha de uma professora da rede pública e cresceu próxima do movimento sindical. Estudante de Direito, ela estudou em escola pública e atuou como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais.
A deputada eleita também citou sua vivência no Reinado, tradição religiosa e cultural afro-brasileira que reúne devoção católica e ancestralidade africana. “Quero levar para Brasília tudo o que aprendi com minha mãe, que é professora, e com o movimento sindical dos professores”, afirmou.
Ao comentar a votação, Ana Elisa disse que sua vitória pode abrir espaço para novos nomes na política. “É a possibilidade de colocar uma pessoa como eu nesses lugares e de abrir caminho para que, daqui a quatro anos, outras pessoas também possam almejá-los”, declarou.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/escolta-24-horas-ana-elisa-diz-que-recebe-tres-ameacas-de-morte-por-dia/

