A candidata do partido A Esquerda (Die Linke), Elif Eralp, celebrou neste domingo (20) o resultado da eleição para o Parlamento de Berlim após projeções indicarem uma vitória expressiva de seu partido na capital alemã. Com cerca de 25% dos votos, a legenda ficou à frente da União Democrata-Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, que aparece com aproximadamente 20%.
O resultado abre caminho para que Eralp, de 45 anos, se torne a primeira prefeita de Berlim de origem turca. A escolha, porém, ainda depende das negociações para a formação do próximo governo da cidade. A Esquerda precisará de aliados para alcançar maioria, e uma composição com Verdes e Partido Social-Democrata (SPD) é uma das possibilidades discutidas.
Em discurso diante de apoiadores, Eralp agradeceu aos eleitores e afirmou que o resultado representa uma mudança para a capital.
“Hoje começamos a transformar Berlim juntos e a fazer dela um lugar melhor”, disse ela. “Amor e justiça triunfaram sobre o ódio, e essa mensagem está sendo enviada ao mundo”.
Campanha inspirada em Zohran Mamdani
A campanha de Eralp foi comparada à do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, especialmente pela ênfase em custo de vida, habitação e oposição à extrema direita. A candidata também defendeu transformar Berlim em um “centro de resistência contra os cortes sociais e o avanço da direita”.
A crise habitacional esteve entre os principais temas da campanha. A Esquerda defendeu levar adiante a proposta de colocar grandes empresas imobiliárias sob controle público, retomando o debate aberto pelo referendo realizado em Berlim em 2021 sobre a socialização de grandes proprietários de imóveis.
“Eu sempre disse que trabalharemos pela nacionalização desde o primeiro dia”, afirmou Eralp.
A proposta envolve a transferência para controle público de centenas de milhares de apartamentos pertencentes a grandes empresas imobiliárias e enfrenta resistências políticas e questionamentos jurídicos e financeiros.
Resultado ainda não define quem comandará a prefeitura
Embora a Esquerda tenha terminado a eleição à frente, o resultado não significa automaticamente que Eralp será prefeita. Em Berlim, o governo depende da maioria no Parlamento estadual, e a legenda terá de negociar uma coalizão.
As projeções de ARD e ZDF colocaram a Esquerda entre 24,5% e 26% dos votos, enquanto a CDU ficou em torno de 20%. Os Verdes aparecem próximos de 15%, a AfD entre aproximadamente 14% e 16%, e o SPD em cerca de 12%.
A composição do futuro governo dependerá, portanto, das negociações entre os partidos. Uma aliança envolvendo Esquerda, Verdes e SPD é uma das possibilidades que pode permitir à legenda de Eralp formar maioria.
La Izquierda alemana gana con claridad las elecciones en Berlín
Elif Eralp se puede convertir en la primera jefa de Gobierno de la capital alemana procedente del partido de izquierda anticapitalista Die Linke (La Izquierda).
Su partido y el ultraderechista Alternativa para… pic.twitter.com/LeMwmQt2Bd
— DW Español (@dw_espanol) September 20, 2026
Se for escolhida pelo Parlamento para comandar a cidade, Eralp fará história também por sua origem familiar. Seus pais são provenientes da Turquia, e ela seria a primeira chefe de governo de Berlim com origem turca.
O resultado representa uma forte mudança em relação à eleição anterior: a Esquerda havia obtido 12,2% na repetição da eleição de 2023 e agora aparece próxima dos 25% nas primeiras projeções.
Enquanto os apoiadores da Esquerda comemoravam o resultado, Eralp afirmou que a campanha havia mobilizado pessoas que buscavam uma Berlim mais acessível e com melhores condições de vida.
“Recebemos o apoio de muitas pessoas porque elas tinham esperança em uma Berlim melhor, acessível e onde todos possam viver com dignidade”, afirmou.
A candidata também declarou que pretende representar conjuntamente moradores de diferentes regiões da capital, defendendo uma cidade “mais justa e social”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/esquerdista-elif-eralp-filha-de-refugiados-pode-ser-a-nova-prefeita-de-berlim/


