Os Estados Unidos pressionam a União Europeia a assumir compromissos públicos para rever regras de importação que desagradam Washington, um ano após o acordo comercial firmado para reduzir tarifas impostas por Donald Trump.
Bruxelas e Washington concluíram um amplo acordo em 2025. A União Europeia reduziu taxas sobre bens industriais e alguns produtos agrícolas, enquanto os EUA diminuíram tributos sobre muitos produtos europeus, incluindo carros, para 15%.
Três pessoas familiarizadas com as negociações relataram que os EUA enviaram, nas últimas semanas, uma proposta a autoridades europeias com compromissos que gostariam de ver anunciados para marcar um ano da assinatura do acordo. Washington reclama de regras do bloco em áreas como segurança automotiva, alimentos e produtos agrícolas.
Autoridades europeias demonstraram pouco entusiasmo em aderir a novas promessas públicas. Um alto funcionário da Comissão Europeia afirmou que há conversas constantes com os EUA sobre a relação comercial, mas disse que a comissão não prevê assinar um documento com compromissos futuros.

Bruxelas busca reduções para vinhos, queijos e maquinário
A Comissão Europeia informou ao Parlamento Europeu nesta semana que enviou aos EUA uma nova lista de reduções tarifárias sugeridas para produtos do bloco. A relação inclui vinhos e destilados, alguns queijos e maquinário.
A lista cobre 115 bilhões de euros em exportações anuais da União Europeia para os Estados Unidos, equivalente a R$ 672,56 bilhões. A iniciativa europeia tenta obter contrapartidas enquanto Washington cobra a retirada de barreiras não tarifárias.
A pressão norte-americana ocorre mesmo depois de Trump recuar dos níveis mais altos de tarifas, movimento associado a decisões da Suprema Corte e à piora do poder de compra antes das eleições de meio de mandato. Os dois lados já implementaram as reduções tarifárias previstas no acordo.
Autoridades dos EUA afirmam que Bruxelas avança lentamente na revisão de normas que afetam produtos norte-americanos. Em novembro do ano passado, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse que o acordo firmado em Turnberry “não resolve todos os problemas” na relação entre os dois lados; o escritório dele se recusou a comentar.
A declaração que anunciou o acordo-quadro comercial entre EUA e União Europeia previa compromissos para ampliar acesso a mercados. No setor automotivo, os dois lados disseram que “pretendem aceitar e fornecer reconhecimento mútuo aos padrões um do outro”.
Autoridades da Casa Branca apontam que a União Europeia tem o maior déficit comercial em bens entre os blocos que negociam com os EUA, de 198 bilhões de euros no ano passado. Bruxelas cita, em resposta, o superávit norte-americano de 178 bilhões de euros em serviços.
“A UE está comprometida com a implementação total de seus compromissos sob a declaração conjunta UE-EUA, como evidenciado pela recente entrada em vigor do compromisso de eliminar tarifas sobre importações de bens industriais americanos”, afirmou a Comissão Europeia.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/eua-cobram-uniao-europeia-revisao-regras-comerciais-trump/

