O DCM obteve uma circular, distribuída pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que orienta escolas da rede pública a desenvolver atividades pró-sionismo utilizando materiais produzidos pela ONG StandWithUs Brasil, que se apresenta como uma “organização educacional de combate ao antissemitismo” e é presidida por André Lajst, figura obrigatória da mídia na cobertura do genocídio em Gaza.
A iniciativa é do governo Tarcísio de Freitas, aliado da família Bolsonaro e um dos governadores brasileiros que mais se aproximaram de Israel nos últimos anos. Tarcísio esteve com o premiê Benjamin Netanyahu em 2024 e, no ano seguinte, enviou seu principal auxiliar, o secretário da Casa Civil, Arthur Lima, a uma missão oficial no país.
Chamado de “Circuito Educacional”, o material foi encaminhado oficialmente às unidades escolares por meio de ofício da Secretaria da Educação e integra atividades pedagógicas voltadas a professores e estudantes do ensino médio com o tema “Antissemitismo: Passado, Presente e Futuro”.
De acordo com a cartilha, a ideia é “estabelecer diálogo com professores das diferentes áreas do conhecimento e com o trio gestor, buscando integrar o Circuito ao cotidiano escolar”. O ofício disponibiliza seis conjuntos de apresentações em PowerPoint, organizados por semana, destinados aos encontros com os alunos, que são orientados a produzir textos e um minidocumentário sobre o tema.
“É claro que nós somos contra toda forma de xenofobia ou racismo, é claro que não somos antissemitas, mas isso é uma tentativa de lavar a imagem do Estado de Israel e da violência do sionismo através do governo paulista”, diz o educador Daniel Cara, cientista político e professor da Faculdade de Educação da USP.

Não aparecem nas apresentações referências à invasão dos territórios palestinos, à expansão dos assentamentos israelenses, às violações de direitos humanos feitas por organismos internacionais ou às interpretações palestinas sobre a origem e a continuidade do conflito.
Embora apresentada como uma ação de combate ao antissemitismo e uma defesa de dois estados, a documentação mostra que os conteúdos são propaganda sionista, com interpretações específicas sobre o país, baseadas em autores identificados com o sionismo contemporâneo.
O vínculo com a StandWithUs fica explícito no material adotado, que exibe o logotipo da entidade e sua mensagem institucional: “Nós acreditamos que a educação é o caminho para a paz”. O autor usado como principal referência, o israelense-americano Yossi Halevi, parece pensar diferente. Em entrevista ao Estadão, ele declarou: “Não é hora de falar de paz, precisamos defender o Estado de Israel”.
O livro de Halevi “Cartas ao meu vizinho palestino” é a base do projeto. Ele foi soldado em uma unidade das Forças de Defesa de Israel que patrulhava a Faixa de Gaza na Primeira Intifada, entre 1987 e 1993.
“A fim de permitir que o outro lado obtenha certa medida de justiça, cada lado deve impor a si mesmo alguma medida de injustiça”, escreve o ex-soldado em seu livro, ao defender o que chama de “justiça distributiva”. A partir da perspectiva sionista, a injustiça deixa de ser algo a ser corrigido e passa a ser apresentada como condição para alcançar a própria justiça.


O DCM conversou sobre o projeto com uma professora de Osasco (SP), que preferiu se manter anônima por razões de segurança. “Esse projeto vem via sala de leitura, ou seja, ele vai estar com profissionais provavelmente da área de Letras, que não são gabaritados para fazer um contraponto”, alerta.
“Vai haver, sob a perspectiva do Estado de São Paulo, a criação de uma narrativa oficial, com argumentos quase científicos, de que o que está acontecendo é correto, chancelando essa ação de terror, de morte e de guerra que estamos vendo na Palestina e no Líbano. Assim, é criada uma narrativa única dentro de uma escola, como se fosse a versão oficial dos fatos”.
Há um farto palavrório sobre a Guerra dos Seis Dias, entre 5 e 10 de junho de 1967, quando Israel ocupou Jerusalém Oriental, a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e as Colinas de Golã. O conflito terminou com uma vitória rápida e decisiva das forças israelenses sobre os exércitos árabes liderados principalmente pelo Egito de Gamal Abdel Nasser.
“A existência do Estado de Israel estava por um fio”, declarou o então primeiro-ministro Levi Eshkol. Segundo essa narrativa, a ofensiva teria impedido uma tentativa árabe de destruir Israel e evitado o que autoridades classificaram como um possível “segundo Holocausto”.
Essa interpretação, porém, passou a ser contestada por integrantes do próprio establishment militar israelense. Um dos críticos mais conhecidos foi o general Matituahu Peled, que integrou o Estado-Maior durante a guerra. Em março de 1972, ele afirmou que a ideia de que Israel enfrentava uma ameaça de genocídio em junho de 1967 havia sido construída posteriormente.
O conteúdo parece confundir antissemitismo com sionismo, o que demonstra um vínculo com o projeto da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que propôs interpretar o antissemitismo como uma forma de racismo para censurar quem faz críticas a Israel.

No Brasil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos criticou a adoção da definição. Em nota técnica, o órgão afirmou que ela é “inconstitucional” e que “introduz conceitos distorcidos de antissemitismo para perseguir e condenar quem se manifesta contrário às políticas do Estado de Israel”.
Em outro trecho, os alunos são convidados a refletir sobre a “disputa territorial” entre israelenses e palestinos a partir da frase: “Por que estamos discutindo sobre quem é o dono da terra quando no final a terra será proprietária de nós dois?”.
O material propõe ainda uma discussão sobre o que chama de “cerne do conflito israelo-palestino”, identificado como “o muro entre nós”, e questiona os estudantes sobre o significado da “barreira” construída por Israel e as razões de sua existência.

!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);
Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/exclusivo-governo-tarcisio-manda-adotar-material-de-ong-pro-israel-em-escolas-de-sp/

