A produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, utilizou espaços públicos do Governo de São Paulo sedidos pelo governador Tarcísio de Freitas para gravações e enfrentou resistência para filmar em um dos prédios históricos mais antigos da capital paulista. O longa, dirigido por Cyrus Nowrasteh e estrelado por Jim Caviezel, ganhou repercussão após revelações sobre o financiamento da produção.
Segundo reportagem do Intercept Brasil, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria destinado aproximadamente R$ 61 milhões ao projeto. Os recursos teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), conforme mensagens e áudios divulgados pelo veículo.
O filme alugou o Museu das Favelas nos dias 3 e 4 de dezembro de 2025 para gravação de cenas relacionadas ao atentado sofrido por Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018. De acordo com informações divulgadas pelo Metrópoles, a locação custou R$ 57 mil por seis horas de uso.
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram Jim Caviezel sendo carregado por figurantes em frente ao prédio histórico localizado no centro de São Paulo. As gravações utilizaram áreas como escadarias, foyer, hall, sala de reunião e espaços externos do museu.
O uso do espaço provocou críticas internas entre funcionários do equipamento cultural, que consideraram incompatível a associação do ex-presidente a um local voltado à cultura periférica e às políticas culturais direcionadas às favelas.
Outra locação usada pela produção foi o Memorial da América Latina. Segundo termo de autorização publicado no Diário Oficial, a produtora Go Up Entertainment pagou R$ 125,9 mil ao governo paulista pelo uso do espaço entre os dias 19 e 22 de novembro de 2025.

As filmagens ocorreram das 8h às 22h e incluíram áreas como o Auditório da Biblioteca Latino-Americana, Praça da Sombra, Foyer do Auditório Simón Bolívar e o Anexo dos Congressistas.
Em nota, a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo afirmou que o aluguel de espaços em equipamentos culturais estaduais segue normas previstas em contratos de gestão.
Segundo o governo paulista, o acesso aos locais ocorre por critérios “com acesso democrático, impessoal e transparente, respeitando as normas de preservação do patrimônio cultural e as regras que vedam o uso promocional de marcas institucionais”.
A produção também tentou autorização para filmar no Pateo do Collegio, complexo histórico administrado pelos jesuítas no centro de SP. A solicitação, porém, foi negada pela administração do espaço após troca de e-mails obtida pelo Metrópoles. A instituição criticou a condução do processo e reclamou da falta de consulta prévia por parte da SPCine.
“Não poderemos sofrer um ônus tão grande causado por um projeto ao qual nem ao menos fomos consultados antecipadamente, ao contrário de outras instituições do entorno. Consideramos que a SPCine agiu com grande desrespeito à nossa Instituição, informando-nos de véspera sobre um cronograma que, reitero, inviabiliza nosso pleno funcionamento”, escreveu uma representante da administração do Pateo do Collegio.
Após a negativa, a produção desistiu de usar o local e transferiu a gravação da cena da facada para o Museu das Favelas. “Nós não vamos mais filmar no Pateo Do Colégio e ontem a filmagem foi no Museu das Favelas. Portanto, não faz sentido a anuência do Pateo do Colégio se já acordamos com o Pateo do Colégioque não vamos mais filmar lá”, informou um representante do filme em mensagem enviada no dia 4 de dezembro.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/filme-sobre-bolsonaro-financiado-por-vorcaro-usou-espacos-em-sp-cedidos-por-tarcisio/

