O Financial Times (FT) comparou a família Bolsonaro à família Trump e afirmou que o grupo pratica um “estilo paranoico de política” em reportagem de capa publicada neste sábado (26). O jornal britânico descreveu o clã como “tão radical quanto disfuncional” e associou sua atuação à fusão entre celebridade, redes sociais e busca pelo poder.
Assinado pelo jornalista Michael Pooler, o texto recebeu o título “Scandal and succession in the House of Bolsonaro” (“Escândalo e sucessão na Casa dos Bolsonaro”, em tradução livre). A publicação apresenta Jair Bolsonaro como líder do grupo, Flávio como o “Bolsonaro moderado”, Michelle como “a Bolsonaro amável”, Carlos como especialista em redes sociais e Eduardo como o filho mais parecido com o pai em estilo.
A reportagem concentrou parte da análise na sucessão política de Jair Bolsonaro e na candidatura de Flávio. Para o jornal, uma eventual vitória do senador consolidaria a família como dinastia política; uma derrota poderia abrir espaço para nomes da direita como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O ponto de partida do texto foi o vídeo de Michelle Bolsonaro sobre a disputa com Flávio dentro do partido. O jornal britânico avaliou que a manifestação pública expôs um racha no núcleo familiar enquanto o clã planejava manter influência sobre a direita brasileira.
Ao comparar os Bolsonaro à família Trump, o FT aponta uma forma semelhante de fazer política: transformar a fama pessoal e a presença constante nas redes sociais em instrumentos para conquistar e manter o poder. Na avaliação do jornal, as duas famílias encarnam uma marca da política dos anos 2020, em que a aparência de espetáculo convive com consequências mais graves para a vida pública — combinação que a reportagem descreve como uma mistura do “superficial” com o “sinistro”.
Perfis de Flávio, Carlos, Eduardo e Michelle
O periódico classificou Flávio como o escolhido para tentar restaurar a força eleitoral da família e destacou que ele se define como um “Bolsonaro vacinado”. O texto também relata que aliados e setores empresariais buscariam uma alternativa capaz de atrair o eleitorado de centro, citando Tarcísio como um possível nome.

Carlos Bolsonaro aparece como figura de atuação digital combativa, enquanto Eduardo é apresentado como o filho com maior proximidade ideológica e internacional com a família Trump. O jornal relatou que o ex-deputado foragido vive no Texas desde 2025 e o colocou fora da disputa sucessória por enfrentar risco de prisão caso retorne ao Brasil.
Michelle é descrita como cristã devota e como uma “arma secreta” na campanha e no governo de Jair Bolsonaro, com atuação em pautas relacionadas a doenças raras e à comunidade surda. Sobre a relação dela com os enteados, o pastor Silas Malafaia disse ao jornal: “Uma madrasta não é parente. Eles não partilham do mesmo sangue”.
Ao reconstituir a trajetória de Jair Bolsonaro, foram lembradas suas declarações em defesa da tortura e da ditadura militar, sua condução da pandemia de covid-19 e a ofensiva golpista que resultou em sua condenação, conforme narrado pela publicação. Flávio e Eduardo não responderam aos pedidos de comentário; Michelle recusou-se a falar, e o jornal declarou não ter localizado Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/financial-times-compara-cla-bolsonaro-aos-trump-e-dispara-radical-e-disfuncional/


