
O Flamengo pediu ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para ingressar na ação que questiona a medida provisória de Lula que proíbe as bets no país. A iniciativa, apresentada nesta terça-feira (29), leva à Corte a defesa do dinheiro das casas de apostas que financia o clube. A diretoria quer que seus argumentos sejam considerados já na análise do pedido de suspensão da MP, segundo reportagem de Diogo Dantas, de O Globo.
O interesse financeiro aparece na própria petição: o Flamengo cita o contrato de patrocínio máster com a Betano, de cerca de R$ 268,5 milhões por temporada, válido até o fim de 2028. O acordo coloca a marca da casa de apostas no principal espaço da camisa rubro-negra. É essa receita que a gestão de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, apresenta ao Supremo ao contestar os efeitos da proibição.
O clube solicita admissão como amicus curiae, condição que permite contribuir com argumentos e documentos para o julgamento de uma ação. Na petição, o time carioca pede rapidez na análise de seu ingresso e que o documento seja recebido como uma primeira contribuição ao exame da liminar. Também solicita participação em eventual audiência pública ou de conciliação.
Para sustentar o pedido, o Flamengo afirma que o prazo de dez dias para retirar marcas de casas de apostas é insuficiente. Alega que a perda abrupta das receitas compromete o futebol profissional, as modalidades olímpicas, o futebol feminino e as categorias de base. A defesa do contrato com a Betano é apresentada, assim, como uma questão de financiamento de toda a estrutura esportiva do clube.

A movimentação judicial ocorre depois de o Flamengo publicar uma nota contra o fim das bets e criticar a “canetada” do governo. Na segunda-feira (28), Bap levou a defesa das receitas à Flamengo TV e questionou: “Como eu vou pagar o Paquetá em janeiro?”. O dirigente cobrou a revisão da medida pelo Congresso ou pelo STF e anunciou a reação jurídica: “Nós vamos deixar de contratar jogadores e contratar advogados”.
O Flamengo se antecipou a uma articulação conjunta dos clubes para participar da disputa no STF. O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional, o Sinafut, já pediu uma transição de seis meses, argumentando que a mudança alcança a reta final da temporada e o planejamento de 2027. A entidade reúne representantes de clubes e federações e tem em sua direção dois vice-presidentes da CBF, Ednailson Leite Rozenha e Ricardo Glock.
O volume de dinheiro ajuda a explicar a mobilização dos dirigentes: segundo O Globo, 14 dos 20 clubes da primeira divisão têm patrocínio máster de casas de apostas, e o mercado deve movimentar cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro em 2026. A Betano também comprou o direito de associar sua marca aos nomes do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, ampliando a presença do setor para além das camisas.
Lula contestou o argumento de que o futebol depende das bets e lembrou que as maiores conquistas brasileiras ocorreram antes desses patrocínios. Na segunda-feira (28), cobrou alternativas dos dirigentes: “E os clubes que se virem”. O presidente também classificou as plataformas como “uma máquina de matar o povo pobre”. Enquanto o governo sustenta a proibição, a diretoria do Flamengo tenta fazer a preservação de suas receitas pesar na decisão do Supremo.
Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/flamengo-leva-defesa-das-bets-a-fux-e-pede-urgencia-no-stf/

