Flávio usa crime para pedir votos, mas falta a 72% das sessões da Comissão de Segurança

Em propaganda eleitoral, Flávio Bolsonaro exaltou sua atuação na Comissão de Segurança Pública do Senado. Foto: Reprodução

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou a presidência da Comissão de Segurança Pública do Senado em uma das credenciais de sua campanha, mas compareceu a apenas três das 11 sessões realizadas pelo colegiado neste ano. Ele faltou a oito reuniões, segundo levantamento da Folha de S.Paulo baseado nos registros da Casa.

A atuação na comissão é mencionada diretamente na propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro. Em uma das peças, a campanha afirma que o senador “sempre combateu as facções criminosas” e destaca que ele preside o colegiado antes de apresentar propostas para a segurança pública, entre elas endurecimento de penas e medidas voltadas ao combate ao crime organizado.

Os registros do Senado, porém, mostram que sua presença nas reuniões foi limitada. Das 11 sessões realizadas em 2026, Flávio Bolsonaro esteve em três. Uma delas ocorreu durante o período eleitoral e tratou de projetos relacionados a armas, homicídios contra autoridades e proteção a mulheres sob medida protetiva. O senador relatou três das quatro propostas aprovadas naquela ocasião.

A propaganda também apresenta como bandeira a classificação de facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. No ano passado, entretanto, o Senado rejeitou uma proposta com esse objetivo, e Flávio Bolsonaro não registrou voto favorável na votação. Outro levantamento sobre sua atuação parlamentar mostrou que ele deixou de registrar voto em 43% das deliberações nominais do Senado no primeiro semestre.

Flávio Bolsonaro
O senador e candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A ausência nas votações também aparece em outros indicadores de sua atividade parlamentar. Segundo a Folha, Flávio Bolsonaro chegou ao último ano do mandato sem projetos de autoria própria transformados em lei. Duas propostas das quais foi coautor entraram em vigor, nenhuma relacionada à segurança pública.

Questionada sobre as faltas na comissão, a assessoria do senador afirmou que “o Parlamento tem limites de atuação diante da agenda de Flávio como candidato à Presidência da República”. A equipe disse ainda que o parlamentar teve atuação voltada ao endurecimento das penas e à atualização da legislação e citou prêmios recebidos pelo senador em anos anteriores.

A comissão voltou a ganhar espaço na agenda pública de Flávio Bolsonaro em setembro, quando ele compareceu a uma sessão em meio à repercussão do caso Banco Master. Na ocasião, além de participar da análise de projetos de segurança, o senador discursou para cobrar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Segundo os registros citados pela reportagem, ele havia usado os microfones do colegiado em apenas outras três sessões ao longo do ano.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/flavio-usa-crime-para-pedir-votos-mas-falta-a-72-das-sessoes-da-comissao-de-seguranca/